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Índice de morte por suicídio preocupa na ilha do Fogo 14 Abril 2014

Os recentes casos de suicídio chamaram a atenção das autoridades e da população no Fogo. No período de uma semana, três pessoas - duas do sexo masculino e uma mulher - puseram termo à vida. Filipe Santos, psicólogo e professor da Escola Secundária Teixeira de Sousa, admitiu que o suicídio na ilha "não é uma epidemia mas sim um fenómeno que sempre aconteceu".

Índice de morte por suicídio preocupa na ilha do Fogo

O suicídio está entre as 10 principais causas de morte em Cabo Verde. Os dados estatísticos actuais indicam que este fenómeno está a ganhar projecção nacional. O Fogo regista o maior índice de suicídio a nível do arquipélago.

A cada ano, entre cinco e seis pessoas põem termo à própria vida na ilha do Fogo. Este ano já se registaram quatro casos de suicídio nos municípios de Santa Catarina e São Filipe. Os últimos três casos - todos por enforcamento - voltaram a inquietar a ilha.

As causas dos suicídios estão relacionadas com a depressão e conflitos familiares. Desde o início do ano registaram-se também vários casos de tentativa de suicídio, a maioria são jovens com idades compreendidas entre os 25 e os 34 anos de idade.

Uma situação que preocupa a população e as autoridades sanitárias da ilha. O Ministério da Saúde tem em prática na ilha estratégias para estar mais perto dos adolescentes, no sentido de inverter a situação.

Ao asemanaonline, Filipe Santos psicólogo e professor da Escola Secundária Teixeira de Sousa, admite que os suicídios na ilha "sempre existiram e não se trata de um fenómeno recente. Claro que um caso pode servir de estímulo para ocorrerem outros, mas cada caso é um caso e não se trata de uma epidemia, mas sim de algo que remonta no tempo".

No entender deste psicólogo, os factores de risco de suicídio no Fogo poderão estar ligados directamente a questões culturais, políticas e ou económicas. A não afirmação pessoal e social pode também estar na origem do suicídio.

Santos sublinha que o suicídio é um “problema sério” que merece mais atenção e requer o envolvimento de todos para uma melhor inclusão das pessoas propensas a cometer este acto de desespero. O suicida dá sinais claros: depressão, euforia excessiva e mudanças bruscas de comportamento. Arrumar os pertences e falar muito sobre a morte podem ser sinais de alerta. O abuso de álcool ou drogas e as perturbações mentais são igualmente factores de risco.

"É preciso trabalhar na divulgação junto da comunidade dos factores associados ao suicídio, explicar como reconhecer os sintomas e motivar o potencial suicida para a vida, convencendo-o a mudar de opinião”, conclui o especialista.

Nicolau Centeio

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