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Portugal: Quatro cabo-verdianas entre as africanas do século XIX no Almanaque luso-brasileiro 30 Outubro 2012

“Várias mulheres cabo-verdianas, umas com os seus nomes e outras com pseudónimos, escreveram sob a forma de prosa ou poesia, sobre os povos, tradições, superstições e angústias, como única maneira de comunicarem”, revela o Almanaque de Lembranças Luso-Brasileiro: Presença cabo-verdiana 1851-1900, apresentado na quinzena da cultura cabo-verdiana, em Lisboa.

Portugal: Quatro cabo-verdianas entre as africanas do século XIX no Almanaque luso-brasileiro

A apresentação aconteceu na Associação Cabo-verdiana de Lisboa e incluiu os dois volumes do Almanaque Almanaque de Lembranças Luso-africano 1895-1899, do Cónego Teixeira, organizado pelos professores João Lopes Filho (cabo-verdiano) e Alberto Carvalho (português).

José Luís Hopffer Almada, responsável pelo departamento cultural daquela associação, leu um longo texto analítico de Ana Cordeiro, directora do Centro Cultural do Mindelo, sobre o Almanaque Luso-brasileiro de Lembranças onde muitas mulheres deram a visão e opinião sobre África. O Almanaque contém várias tabelas e regulamentos de utilidade pública e prática, calendário, miscelânea literária, científica, recreativa, histórica, etc. Nele se estrearam muitos poetas e escritores.

Uma das primeiras colaboradoras no Almanaque luso-brasileiro, organizado por Jean-Michel Massa, foi Antónia Pusich. Num trabalho publicado na revista “Navegações”, em Porto Alegre, Brasil, é referido que nesse volume, aparecem 24 mulheres, algumas com os nomes próprios, outras com pseudónimos. Na edição as mulheres são referidas como “senhoras” e os homens como “autores”.

As cabo-verdianas escreviam de S. Vicente, Cidade da Praia e ilha do Maio. A primeira pessoa com ligação especifica à África ocorre em 1861, dez anos depois da publicação do Almanaque de 1851. São textos virados para a própria África, as suas gentes e os seus problemas, falam de regiões, povos, superstições, animais. Dos pseudónimos, por exemplo “Africana”, “Humilde camponesa” “uma desconhecida”, são de Cabo Verde.

No elenco das “senhoras” ligadas a África, a que tem mais textos o pseudónimo “uma africana” de sete textos em prosa e quatro poemas. Escreve por exemplo: “A fome na Ilha Brava - ouvir contar a europeus os actos que enobrecem meus patrícios – é a minha maior alegria (...)”.

Aurelia Telles era de Santiago escreveu por exemplo “uma flor” dedicada a filhinha de Alberto Nazaliny dÁzevedo. Em 1892 existe um poema “casamento de uma “Dona de S. Vicente” e que mostra que o casamento, além de ser um negócio, é a única maneira das mulheres serem libertas. Ela havia-se casado sem amor.

Os professores João Lopes Filho e Alberto Carvalho organizaram o Almanaque Luso-africano, que saiu em dois volumes em versão melhorada dos originais, numa edição de 500 exemplares. Das suas matrizes apenas existem três exemplares no mundo: Nas bibliotecas de Cabo Verde, na de Lisboa e na de Londres.

O almanaque agora apresentado, o primeiro volume de 1893 e o segundo de 1899 , da editora Almedina, levou cinco anos a organizar e exigiu que os investigadores citados depositassem dez mil euros. A edição custou 17 mil euros.

Repartido em “Agenda” e “Miscellanea”, reúne uma larga diversidade de campos de informação útil e de lazer em domínios de índole enciclopédica. Em “Miscellanea”/colaborações, o volume de 1895 cinge-se a nomes cabo-verdianos, enquanto o de 1899 já regista a presença de outros espaços de língua portuguesa, facto que permite dizer-se do “Almanach Luso-Africano” ter sido um caso notável justificado pelo seu sucesso, caso que, com um século de antecedência, colaboraria no que se pode designar hoje de espírito da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), como refere a editora.

O Almanaque era em Cabo Verde dirigido pelo Cónego Teixeira, um homem multifacetado que nasceu em 1865 em Santo Antão, foi professor de música, viveu nas ilhas de S. Nicolau, Boavista e S. Vicente onde morreu aos 54 anos, na miséria. Foi excomungado por Pio X, tendo deixado uma vida dedicada à cultura e educação.

OL

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