VLU e o Festival de Baia das Gatas 2012 18 Agosto 2012
1 – Reconheço que organizar o Festival é um trabalho exigente, e por isso é de se sempre se louvar o trabalho feito pela Camara de S. Vicente, sem dispensar o necessário sentido critico, fundamental para o progresso da organização e do evento;
2 – Mas não posso deixar de dizer que fiquei, decepcionado e triste pela precariedade, falta de conteúdo sério, e falta de perfil profissional do flyer de apresentação dos músicos; È que de facto os conteúdos sobre os participantes estão tão fracos, em matéria de substancia musical sobre eles, que se fica com a impressão que os textos terão sido feitos por alguém totalmente leigo na matéria; ou por alguém de facto de outra área traído pela falta de algum bom senso, ao não procurar contributos enriquecedores desse trabalho; Assim como um músico, não poderá ter o descoco de pretender tecer considerações de valor sobre o trabalho de um arquitecto, igualmente um arquitecto, um engenheiro, ou um empregado administrativo, apenas, não poderá pretender tecer considerações de valor sobre o trabalho musical de um músico, ou de um compositor; por exemplo referir-se a mim como um compositor de melodias carnavalescas, é de uma precariedade grande quando o meu trabalho na musica de Mindelo tem sido de criar estilos, incluindo o perfil da Nova Musica Carnavalesca de Mindelo, na sua vertente rítmica, harmónica, melódica, lírica, social, e em matéria de arranjos, hoje seguida por compositores como o Constantino, o Paulo Block e por outros compositores novos, ainda que com caracter próprio.
Por outro lado desde 1974, músicos e compositores de Mindelo, como eu, o Jorge Humberto, O Vasco, O Voginha, Chico Serra, o Bau, e agora o Hernani, o Domu Afrika, o pessoal do HiHOP etc; cada um com as suas características próprias, temos trabalhado arduamente em abrir outros horizontes (por exemplo Morena, Padoce d´Ceu Azul, Sampê, Quebrode nem Djosa, Bamtimbora batimborinha, Mi ê dod na bô, etc,etc) para a musica de Mindelo, e a ter que se escrever sobre os nossos trabalhos e os nossos perfis como músicos compositores , recomenda o bom senso que isso fosse feito com seriedade, e por alguém com bagagem, capacidade e qualificação suficiente para isso.
Ou seja eu penso que esse flyer devia ter um conteúdo mais técnico do que noticioso e menos pobre sobre os músicos, o seu percurso, o seu, trabalho e o seu perfil, já que estamos a falar do Festival de Baia das Gatas; Há um ditado que diz cada macaco no seu galho, e hoje em dia o conceito de trabalho é o de trabalho de grupo; Fazer bom uso desse ditado e deste conceito é fundamental para se atingir resultados bastante positivos em qualquer trabalho;
Achei particularmente vazios os conteúdos sobre os Novos talentos de S. Vicente, e o Projecto Vozes de S. Vicente. Nem se quer traz os nomes dos talentos e das vozes que se pretende mostrar ao publico da Baia. Esses conteúdos tem um ar de não interessa, quando de facto interessa muito, a meu ver, pois esse pessoal representa o futuro da Musica de S. Vicente
3 – Não entendi porque é que o programa traz mais participantes no Domingo do que na Sexta e no Sábado quando deveria ser o contrario, já que Segunda Feira é dia de trabalho e não convém a aliciar as pessoas a não descansarem o suficiente, deitando-se tarde, para trabalhar na segunda feira sem energia suficiente. A não ser que que se esteja a pensar em atribuir mais uma tolerância de ponto na Segunda Feira de manhã, o q eu não sei se é de facto boa ideia;
4 – Este festival esta de olho no pessoal musico local. Penso que isso é bom sinal, em vários sentidos, tem tudo a ver com a criação do festival, mas teria sido melhor se os convites tivessem saído mais cedo. Haveria melhor garantias de performances valiosíssimos. Julgo que desta vez a Camara teve razões plausíveis para fazer esses convites em cima do joelho. Terá sido a questão das eleições. Dedica-lo a Cesária Évora é sem duvida boa ideia, ela merece tudo e mais do que tudo, mas também espero que se faça ao Bius a homenagem que ele merece por ter feito a noite musical de Mindelo o que ela é neste momento, sem pedir nada mais do que viver um bocadinho nesta cidade, que ele tanto adorava, sem qualquer agarro á coisa material.
6 – Mesmo assim sempre que houver margem para isso penso que será benéfico trazer apenas dois ou três cabeças de cartazes de fora. E bom que o horizonte da realização do Festival traga sempre e no mesmo cesto pelo menos três aspectos fundamentais: a Indústria da Cultura, o Turismo (nacional e estrangeiro) e a Economia da Ilha e de Cabo Verde;
5 – Espero que tudo corra bem e que no final todos se congratulem por mais um bom trabalho a favor de Mindelo, S. Vicente, Cabo-Verde e aos visitantes amigos.
Um Grande Abraço
Vlú

CABO VERDE



















