Rodrigo Mascarenhas prepara a última caminhada com a selecção nacional: “Quero sair em grande” 29 Julho 2012
A partir de quinta-feira, 26, começaram a chegar à capital do país os jogadores convocados para a época de treinos da selecção cabo-verdiana de basquetebol, que disputará, na segunda semana de Agosto, com o Mali e Senegal, o apuramento para o Afrobasket 2013. Rodrigo Mascarenhas, que integra a equipa nacional, faz o balanço das últimas conquistas da sua carreira e, aos 32 anos de idade, perspectiva a sua saída do basket profissional pela ‘porta grande’.
O basquetebolista internacional conta que, apesar das propostas para continuar em Angola, onde jogou na última época, e outras para a Europa, decidiu congelar a sua decisão e concentrar-se na selecção de Cabo Verde, que tem agora, a seu ver, óptimas chances de chegar ao mundial de basquetebol daqui a dois anos.
Os jogos de apuramento para o Afrobasket 2013, a ser realizado na Costa do Marfim, serão disputados na cidade da Praia, de 10 a 22 de Agosto. “Acredito que estamos em condições de disputar o Afrobasket no topo e conseguir o apuramento para um mundial.” Se isso acontecer, Rodrigo Mascarenhas adia a sua “reforma” para depois dessa participação, e confessa que seria uma forma de sair pela “porta grande e encerrar com chave de ouro” a sua carreira internacional. “Se conseguirmos a qualificação para o Afrobasket, regressarei à Europa onde tenho propostas em Portugal, França e Espanha, pois é obvio que vou querer estar numa equipa onde possa manter um bom nível e forma física para o campeonato africano e para o Mundial”, explica o jogador, que deixou o Benfica, onde não fez uma boa época, para regressar a Angola no último ano, defendendo a camisola do ASA.
Quanto aos rumos que o basquetebol nacional tem tomado, o internacional cabo-verdiano confessa-se desiludido. “Infelizmente, os dirigentes estão lá apenas por gostarem da modalidade. Isso pode significar menos custos mas, por outro lado, têm outros compromissos profissionais e é no seu tempo livre que se dedicam à federação, ou seja, é um trabalho em part-time”. Mascarenhas, que nunca hesitou em expor a sua opinião acerca da gestão do basquetebol pela actual federação, ressalva que toda a crítica deve ser construtiva pelo que pretende dar o seu contributo na federação ou em outros cargos do desporto nacional. “Não adianta criticar e não fazer nada para ajudar a melhorar. É assim que vivo no basket e é essa atitude que procuro ter na minha vida”, afirma, considerando que são necessários mais investimentos principalmente nas modalidades individuais, que podem trazer, na sua opinião, mais projecção ao país. Este profissional do basquetebol recorda aos governantes o que uma população activa e saudável significa para a economia do país – tanto nos cofres do Estado como sistema de saúde.
Projectos Sociais
Com o colega basquetebolista Marito e com o titular do FC Porto, Rolando, Rodrigo Mascarenhas dedica-se a vários projectos sociais ligados ao desporto e às crianças. Nesta senda, o craque prepara um jantar beneficente ainda durante os jogos de apuramento para o Afrobasket, a realizar-se em Agosto, na cidade da Praia.
“Tencionamos leiloar artigos de vários jogadores nacionais ou de descendência cabo-verdiana, que praticam diversas modalidades”, diz. Desde bolas autografadas, camisolas dos jogadores mais conhecidos a nível nacional e internacional, como Marito, Rolando e Varela, e o resultado do leilão será usado para ajudar directamente algumas das escolas mais necessitadas do país. “Evitamos os centros urbanos e preferimos concentrar a nossa acção nas escolas das regiões mais pobres”, explica o atleta, que já é padrinho de uma escola primária em Chã de Norte, Ribeira da Cruz, terra onde nasceu o seu pai, a ilha de Santo Antão.
Susana Rendall Rocha

CABO VERDE



















