A UNTC-CS deve continuar a Desenvolver a Unidade na ação 16 Julho 2012
A UNTC-CS mais a outra central sindical do país decidiram no final do mês de Abril pela realização de uma manifestação a nível nacional, no dia 1º de Junho, para defender o poder de compra dos trabalhadores cabo-verdianos, a fixação do salário mínimo nacional e um plano de cargos, carreiras e salários que corresponda às expetativas dos funcionários públicos, e o cumprimento dos acordos existentes e da promessa feita pelo Governo.
Por: Adelino Silva
Todos os itens acima referidos constituem, mesmo a título individual, a bandeira de luta de qualquer organização sindical que se preza. Constituem também razões suficientes para se adotar a forma de luta que melhor se adeque à situação, quando se considerar que a via do diálogo e concertação não está a resultar, ou que está a ser usada como mero “expediente dilatório” ou que é necessário usar todos os meios legítimos de pressão para que as coisas aconteçam mais rapidamente. Isto é, para que os problemas concretos dos trabalhadores sejam resolvidos, ou pelo menos, que sejam minorados.
Apesar de parecer cristalina para os dirigentes sindicais que decidiram pela manifestação, há gente que não pensa assim. Inclusive indivíduos que se autointitulam de sindicalistas de outrora pertencentes ao movimento sindical cabo-verdiano que se consubstancia na UNTC-CS. Há também indivíduos que nunca foram sindicalistas, mas, pelo simples facto de exercerem a política partidária ou de serem deputados - da situação e da oposição - se acham no direito de, em jornais e blogs, criticar e acusar a Direção da UNTC-CS, pelo que não fez e devia fazer e pelo que fez e não devia fazer, na opinião deles.
Interessante, a atitude repentina desses indivíduos para com a UNTC-CS. Parece até que nunca estiveram em Cabo Verde. Mas não: estiveram, sim, em Cabo Verde. Só que antes não lhes convinha, já que não tinham interesses outros a defender. Hoje têm-no. Daí essa preocupação repentina para com a UNTC-CS e seus dirigentes.
De entre as questões levantadas há uma que me chamou mais a atenção. É a crítica pelo facto de a Direção da UNTC-CS ter adotado a convergência de unidade na ação com a outra Central Sindical, e considerar-se que, com isso, os seus dirigentes decretaram a sentença de morte à UNTC-CS. Isso fez-me lembrar o IIº Congresso da UNTC-CS realizado em 1992, em que na véspera da sua realização um governante da época afirmava num jornal da praça de que “a UNTC-CS não ia a lado nenhum”, e de um outro dirigente partidário que tinha dito a uma organização internacional de que a UNTC-CS tinha sido extinta.
Como se pode ver, o desejo de ver o desaparecimento da UNTC-CS não é de agora. Vem de há muito. E, se dependesse dessa gente, a UNTC-CS há muito teria deixado de existir. Pelo contrário, a UNTC-CS tem acompanhado as mudanças profundas que têm ocorrido na sociedade e, naturalmente, no mundo do trabalho. Daí ter conseguido, no quadro da manutenção dos seus princípios e características essenciais, manter-se como a maior e mais prestigiada organização social do país.
E a última jornada de luta levada a cabo nos principais centros urbanos do país, nomeadamente na Praia, Mindelo e Sal, no primeiro dia do mês de Julho provou isso. Provou que a organização está forte e coesa. E provou também que é possível a unidade na ação, apesar de práticas que presidiram, no passado, à criação da CCSL e que visavam o enfraquecimento da UNTC-CS e, apesar também da persistência do Presidente daquela organização em determinadas declarações públicas que não contribuem para isso.
Sem escamotear estes factos, a manifestação do dia 1º de Junho demonstrou que a UNTC-CS e a sua direção andaram bem ao tomarem a decisão que tomaram e devem tudo fazer para continuar a desenvolver a unidade na ação entre todas as organizações representativas, a partir dos problemas concretos com que os trabalhadores cabo-verdianos se debatem. E estes só têm a ganhar com isso.
Espargos, 26 de Junho de 2012.
Presidente do SINTCAP

CABO VERDE



















