Suzanna Lubrano para além do crioulo 07 Julho 2012
Suzanna Lubrano deu um concerto ontem na Praia, para assinalar o 5 de Julho, Dia da Independência Nacional. O seu próximo disco já está quase pronto e deve chegar ainda este ano às discotecas. Mas é no mercado anglossaxónico que a diva do pop zouk cabo-verdiano investe agora todas as suas fichas. O elogio ao hit Tudo pa Bo publicado na edição deste mês da revista de Oprah Winfrey – a mais poderosa apresentadora de televisão norte-americana que também é dona de um canal de televisão – significará luz verde para um mundo tradicionalmente fechado a não falantes da língua inglesa.
Entrevista por: TERESA SOFIA FORTES
– Kriolidadi - Na última semana realizou cinco espectáculos em Cabo Verde, em que interpretou, entre outras canções, alguns temas do seu novo disco. Quando é que o álbum chega ao mercado?
– Suzanna Lubrano - Foram espectáculos de publicidade, por assim dizer, do meu novo álbum, ainda sem título. Desse disco cantei apenas duas músicas – Ka bu pára e Tardi dimás -, que acabámos de editar em single. Talvez lá para o fim do Verão o disco já esteja nas lojas, provavelmente em Setembro.
– Porquê o disco ainda não tem título?
– O disco não tem título porque ainda não gravei todas as músicas seleccionadas. Falta uma canção, em dueto com um artista que sempre quis fazer uma colaboração comigo, que gravarei nos próximos dias na cidade da Praia, onde disseram-me que há um estúdio muito bom. Por isso, não terei de me deslocar à Holanda. É um cantor brasileiro, cujo nome ainda quero manter em segredo.
– Que género de música é?
– É no mesmo estilo que costumo cantar – zouk, R&B –, com um pouco de ritmo de balada ao estilo brasileiro. Pensamos cantar uma parte em crioulo e outra parte em brasileiro. Isso é o que a música tem de maravilhoso: não há fronteiras, tudo é flexível, maleável. A letra e a música são minhas.
– Como é que os fãs estão a receber os dois singles?
– “Ka bu pára” é uma música que fiz totalmente sozinha e que só agora apresento ao público. Inclusive tenho planos de fazer um videoclip do tema. “Tardi dimás”, mais o seu videoclip que gravei na Holanda, já são conhecidas, os fãs conhecem-na de cor e até já a cantam nos concertos, sinal de que gostam muito. A canção, com letra minha, foi produzida por um amigo meu de longa data que agora trabalha com o Akon. É o Giorgio Tuinfort, do Suriname, que sempre quis fazer um zouk para mim, ao estilo dele.
– The Oprah Winfrey Magazine escreve na sua edição de Julho que “Tudo Pa Bo”, hit retirado do disco homónimo de 2010, é uma “canção sensual” e “perfeita para animar quando a intenção é divertir-se”. Vindo de quem vem, Oprah Winfrey, a poderosa apresentadora de televisão norte-americana, o que isso significa para si?
– É “fixe”, não é?! Sim, para mim é um grande passo, a revista tem cerca de dois milhões de leitores, com edições para os Estados Unidos e África. E a nota que saiu na revista é sobre Tudo pa Bo, uma música de 2002! É incrível.
– Além disso, a música é em crioulo. E como sabemos, é difícil entrar no mercado anglossaxónico quando a canção não é em inglês.
– Sim, mas a música é internacional, quando é de qualidade, não importa a língua, não é necessário compreender o que se canta. Muitas vezes é a melodia que encanta e cativa. E há exemplos de temas que não são cantados em inglês, mas que se tornaram grandes hits mundiais.
– Apesar disso, está a preparar um disco com músicas cantadas só em inglês.
– Sim, é verdade. Mas não é a primeira vez que gravo um disco com canções em inglês. “Saída”, que lancei em Janeiro de 2011, tinha pelo menos cinco faixas em inglês. Fui muito criticada por isso porque o disco é muito “americano”, cantado em inglês e com muito R&B. Mas, por outro lado foi bom porque consegui entrar em vários países que falam inglês. “Saída” despertou a curiosidade pela minha música e abriu as portas para mim. Agora preparo-me para ir até esse público com um disco só, totalmente, em inglês.
– E como está a correr a produção desse disco?
– Corre bem, mas ainda só gravamos duas músicas, em Los Angeles, nos Estados Unidos da América. O lançamento poderá acontecer no próximo ano, 2013.
– Apenas a língua será outra, ou os géneros musicais serão também diferentes?
– Os estilos de música que escolhi para este disco são bem diferentes do habitual nos meus álbuns. Terá um pouco de techno, muito R&B, dance music. Gosto sempre de experimentar, não gosto de me limitar a apenas um ou dois estilos de música.
– Depois destes concertos em Cabo Verde, para onde irá?
– O meu próximo concerto será em Guadalupe, nas Caraíbas, dia 29 deste mês, num festival de zouk.
– É o seu primeiro espectáculo naquele país?
– Sim, é o primeiro. Mas o convite para ir lá é de há muitos anos, desde que lancei o meu primeiro disco. Não pude ir, mas fiquei com muita vontade. Agora, finalmente, se Deus quiser, vou lá estar a cantar para os fãs que sei que lá tenho.
René Romer, estratega de mester
O mundo hoje é outro digital e sem fronteiras. Por isso, conquistar espaço no youtube e itunes é preciso. Suzanna Lubrano está em ambos e noutras montras do espaço cibernético, graças ao seu talento e a René Romer, manager e estratega de uma carreira que vai para além do mercado cabo-verdiano e dos tradicionais suportes de divulgação de música.
“Antes, bastava lançar um álbum e fazer tournées. Hoje, é preciso estar em várias frentes”, declara René Romer sobre esta “maneira diferente de trabalhar” agora a carreira de Suzanna Lubrano. Lançar singles antes de sair o disco é uma das estratégias. E colocar as músicas em plataformas de download é outra. Embora “não se ganhe muito, dá visibilidade e audiência junto de um público maior”.
E tanto assim é que a música de Suzanna já chegou aos ouvidos dos editores da revista de Oprah Winfrey. “Entraram em contacto connosco e pediram um disco da Suzanna. Enviámos o álbum, mas sem grande expectativa, porque a eles chegam tantas obras e não divulgam todas”, conta o manager da cantora cabo-verdiana. A surpresa veio em forma de resenha, uma crítica positiva que poderá internacionalizar um pouco mais a carreira de Suzanna Lubrano.
“A música de Suzanna Lubrano é já internacional. O DVD “Live at Off-Corso, por exemplo, foi transmitido em 27 países, nomeadamente Austrália, Polónia, México, Holanda. Mas há países onde ainda não conquistou espaço”, admite René Romer. Para esses países, o plano passa por um disco cantado totalmente em inglês. “Mas sosseguem os cabo-verdianos, porque Suzanna não deixará de cantar em crioulo”, afirma o manager.
À semelhança do que faz Céline Dion, que canta em francês, sua língua materna, mas edita também em inglês para o mercado anglossaxónico, “Suzanna Lubrano continuará a gravar canções em crioulo”. Afinal, é a língua do coração cabo-verdiano, é a língua do coração de Suzanna Lubrano.
TSF

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