Cabo-verdianos manifestam-se na Amadora 22 Junho 2012
Dezenas de moradores do Bairro de Santa Filomena, na maioria de origem cabo-verdiana, manifestaram-se esta quinta-feira, 21, em frente à Camara Municipal da Amadora, a propósito da demolição do bairro. O protesto ocorreu de forma pacífica, apesar da alteração de três pessoas ter levado a polícia a intervir. Uma representante da Plataforma do Direito à Habitação foi ferida na cabeça e recebeu tratamento hospitalar.
Os moradores reconhecem que não têm direito ao programa de realojamento do bairro cuja demolição já foi anunciada diversas vezes, mas estão no desemprego e não têm dinheiro para pagar uma renda de casa.
Pretendem que a câmara, neste tempo de crise os deixe ficar no bairro e adie a demolição das suas casas.
O jornal asemanaonline esteve no local a ouvir os manifestantes que contaram que foram entregar uma petição dentro da Câmara e depois se concentraram em frente ao edifício, cuja entrada estava guardada por uma frente de quatro polícias.
Terá havido alguns desacatos na rua, a polícia foi chamada e terá empurrado as pessoas e ferido uma portuguesa da Plataforma pelo Direito à Habitação, conhecida por Rita.
O Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) confirmou que efectuou o transporte de uma mulher de 30 anos para o Hospital Amadora Sintra com ferimentos ligeiros na cabeça.
Os manifestantes, numa estimativa de 60 pessoas, estão contra as demolições em curso das casas onde vivem e pretendem que a Câmara lhes dê o mesmo tratamento que deram às pessoas inscritas no PER (Programa de Realojamento), relativamente ao recenseamento de 1993.
Alcides Mendes, ligado à associação Espaço Jovem, do bairro, está a ajudar os moradores a reunirem-se e a tomarem uma posição conjunta porque a proposta da autarquia não cabe na bolsa dos moradores, a maior parte deles desempregados da construção civil.
"Neste momento em casa não entram mais de 200 euros por mês e a proposta da câmara não serve para essas pessoas, porque imaginemos uma renda de 350 euros. A câmara até pode pagar dois ou três meses de renda mas, e depois desse tempo o que é que as pessoas fazem?", questiona.
Para Alcides Mendes, as pessoas admitem que não têm direito a integrarem o programa de habitação mas, como não têm para onde ir, querem chegar a um acordo com a câmara com base nos rendimentos que têm ou que os deixem ficar lá "até conseguirem melhorar a vida ou até conseguirem trabalho".
Daniel Lopes Barros, um dos activistas, confirmou que foi entregue uma carta dirigida ao presidente Joaquim Raposo e que os moradores querem ser tratados com dignidade
Os moradores pretendem negociar com a vereadora Carla Tavares, que na quarta-feira recebeu uma delegação do bairro e que terá referido na reunião que quem não tiver direito ao realojamento “deve regressar à terra de onde veio e que a câmara paga”.
Alguns disseram que queriam que fosse feita a avaliação dos seus rendimentos e pagassem uma renda de acordo com os mesmos, como está a ser feito em relação às famílias recenseadas no Programa de Realojamento.
Junto à câmara, os manifestantes empunhavam cartazes onde se podia ler: «Quem não tem casa não tem nada» e «Não queremos esmola da câmara, mas sim solução» e ainda “Não à violência”.
O asemanaonline tentou, no local, ouvir o representante da Câmara, mas o segurança na recepção informou que, “à semelhança de outros jornalistas, a câmara mandou informar que “não tem declarações a fazer” .
Um comunicado da Plataforma do Direito à Habitação e dos moradores do Bairro de Santa Filomena indica que os habitantes se recusam a ser tratados como «lixo» pela autarquia.
«Várias dezenas de nós, moradores e moradoras do Bairro de Santa Filomena - Amadora temos estado a receber notificações camarárias informando-nos que as casas onde habitamos vão ser demolidas brevemente», lê-se no texto.
«A Câmara Municipal da Amadora deu-nos a ‘escolher’ um de dois caminhos: a repatriação para Cabo Verde, ou três meses de renda. Depois, cada um(a) que se amanhe. Somos pobres, muitos de nós desempregados(as) ou sub empregados(as) (quem ainda consegue arranjar trabalho)», acrescenta o comunicado.
OL

CABO VERDE



















