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Telejornal do Brasil mostra drama das cabo-verdianas envolvidas no narcotráfico 15 Novembro 2010

O “Fantástico”, telejornal dominical da Rede Globo, exibiu este domingo, 14, uma reportagem especial sobre mulheres detidas no país por envolvimento no tráfico internacional, entre elas cabo-verdianas e guineenses.

Telejornal do Brasil mostra drama das cabo-verdianas envolvidas no narcotráfico

[A reportagem destaca as chamadas “mulas do tráfico”-, pessoas que se submetem a transportar a droga do Brasil para a Europa. Todas foram detidas quando tentavam embarcar no aeroporto Pinto Martins, em Fortaleza (Ceará). O repórter Eduardo Faustini esteve no presídio feminino Auri Moura Costa (Região Metropolitana de Fortaleza) e visitou os familiares das presidiárias para entender o drama vivido por elas.

Rotas do crime

O presídio do Estado de Ceará abriga actualmente 420 mulheres. Dessas, 49 são estrangeiras e 20 saíram da Guiné e de Cabo Verde. Juntas representam quase metade das estrangeiras lá detidas. Os dois países estão numa das principais rotas da cocaína, segunda a Organização das Nações Unidas (ONU). O trajecto usado pelas quadrilhas começa na Colômbia, passa por São Paulo, segue pelo Nordeste do Brasil, cruza a África Ocidental e termina na Europa.

A miséria de algumas famílias e o domínio da língua portuguesa são, de acordo com a Polícia brasileira, os factores que levam as quadrilhas a aliciarem as cabo-verdianas e guineenses para o tráfico. A reportagem regista a história de Vitalina, 26 anos, e Dulce, 28, que saíram de Cabo Verde, em Abril, rumo a São Paulo. Lá elas receberam cerca de oito quilos de cocaína, mas foram interceptadas em Fortaleza.

“É a dívida, situação de casa. Eu queria ajudar o meu marido de alguma forma. Só que deu tudo errado”, justifica Vitalina Fernandes Correia. Cada uma recebeu aproximadamente 468 mil escudos pela tarefa. “Nós, mulas, não ganhamos. Quem ganha é o traficante mesmo. O que nós ganhamos é sofrimento, dor, vergonha da família”, confessa Dulce Helena dos Santos.

Família

Depois de conversar com as presidiárias, a equipa da Rede Globo viajou para Cabo Verde e foi até a Guiné para investigar esses relatos. O repórter visitou a família de Soraya Clarete, que está presa no Ceará por transportar três quilos de cocaína.

“A Soraia estava muito à procura de trabalho, mas ela não encontrou por aqui”, declara uma das parentes. A família informa que ela recebeu a proposta de um nigeriano, que ofereceu cerca de 140 mil escudos. “É doloroso ver uma coisa assim acontecer com uma pessoa que você gosta”, revela outro familiar.

A equipa também procurou a família de Dulce e Vitalina. “Eu tenho vergonha do meu filho. Esse não é o futuro que eu queria”, lamenta Dulce. “Quando ela chegar em casa, eu vou falar para ela nunca mais fazer o que ela fez”, diz um de seus familiares. “Eu quero mandar muito cumprimento para a minha mãe. Mãe, eu perdoo você”, completa o pequeno filho de Dulce.

Vitalina também deixou os filhos em Cabo Verde com o marido. “Não podia dar ouvidos a essas pessoas, só porque ela quer ter uma boa casa, um carro, vida boa. Agora, imagina a vida boa. Está presa!”, critica Mandina Luiza Correa, irmã de Vitalina.

A presidiária gravou um depoimento pedindo desculpas ao marido. “Queria que ele me perdoasse por tudo que eu fiz, vou sair daqui outra mulher, eu amo ele muito, os meus filhos e a minha família”, disse. “A única coisa que eu quero dizer é força e coragem. Te amo muito”, respondeu o marido.

A reportagem também chama atenção para o caso de outra cabo-verdiana presa com dois quilos de cocaína. A família pensava que ela tinha iludido-se com o dinheiro fácil. Mas, ao ver a emoção de seus parentes ela revelou à equipa de reportagem que foi coagida por um traficante que sequestrou o seu filho. “Ele disse: eu tenho o que dói em você mais”.

Lição

No final, resta o arrependimento e a lição aprendida. “No meu futuro, eu queria trabalhar, cuidar do meu filho. Esse mundo eu não quero mais”, planeia Dulce. “Quem sabe Deus me colocou aqui para aprender a dar valor à vida”, destaca Vitalina.

Segundo dados levantados pela reportagem, das 822 apreensões na Europa no ano passado, 122 foram em voos que saíram da África Ocidental. A estimativa é que o tráfico de drogas movimente de 200 a 300 toneladas de cocaína por ano naquele continente.

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