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A SEMANA : Primeiro di?rio caboverdiano em linha

Lígia ouvida no caso Manuel Barbosa 07 Agosto 2010

A pedido da Procuradoria do Sal, Lígia Furtado foi ouvida em declarações, na passada semana, pela Procuradora da República Raquel Fernandes, no âmbito do processo-crime que o Ministério Público está a instaurar ao advogado Manuel Barbosa, por suspeita de envolvimento com o narcotráfico, neste caso com a rede integrada por Zé Pote, José Jorge e Zany. Lígia Furtado, que está a cumprir sentença na cadeia de Ribeirinha pelos crimes de associação criminosa, narcotráfico e lavagem de capitais, prestou depoimento na qualidade de testemunha do caso Manuel Barbosa, detido no aeroporto do Sal assim que terminou o julgamento desse mediatizado processo de tráfico internacional.

Defensor do ex-agente da PN Tigana, um dos cinco arguidos condenados, Barbosa foi enredado por Zany no esquema de tráfico utilizado pelo grupo de Zé Pote, já na recta final do julgamento. Assim que a audiência terminou, foi emitido um mandado de captura contra o jurista, que foi preso quando se preparava para embarcar para a cidade da Praia. No entanto, o Supremo Tribunal de Justiça, após analisar um recurso do advogado Eurico Monteiro, acabou por mudar a medida de coacção – de prisão preventiva para interdição de saída do território nacional – por considerar que as declarações de Zany eram insuficientes para, só por si, suportarem a detenção provisória do suspeito.

Depois de Lígia, é muito provável que Zé Pote e José Jorge, tidos como os cabecilhas da organização criminosa, sejam igualmente convocados pelo Ministério Público a depor em S. Vicente, a fim de se pronunciarem sobre a veracidade ou não das suas propaladas ligações com Manuel Barbosa. No entender de uma fonte deste jornal, se isso acontecer é muito provável que Zé Pote e José Jorge tentem encurralar Barbosa. “Sentem que Barbosa teve um tratamento diferenciado pelo STJ e não é de se estranhar que queiram vingar-se agora”, especula, trazendo à tona a recente reacção desses dois condenados quando saiu o acórdão do STJ, que lhes reduziu as penas mas manteve os seus bens apreendidos, tal como havia estipulado o Tribunal do Sal. Depois que anunciaram a intenção de partir para uma greve de fome, Zé Pote e José Jorge fizeram marcha-atrás e publicaram um documento onde levantam um conjunto de questões, entre elas a tal dualidade de critérios que, na perspectiva deles, o STJ teve em relação a esses dois processos – o deles e o de Barbosa.

Resumidamente, Zé Pote e José Jorge têm-se mostrado inconformados com o facto do STJ ter validado os depoimentos de Zany contra eles e estar supostamente a fazer o inverso em relação a Manuel Barbosa. Na opinião deles, se as palavras de Zany serviram de base para os condenar, também deveriam ter força suficiente para manter Barbosa sob prisão preventiva.

Recorde-se que Zany foi considerada uma testemunha fundamental para a condenação de Zé Pote, Lígia, José Jorge, Tigana e Naiss a altas penas de prisão. Mas também levantou graves suspeitas contra Barbosa, que está agora a braços com a instrução de um processo-crime, alegadamente por ter auxiliado uma rede de narcotráfico.

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