Manuel Borges responde assim a José de Pina que ontem denunciou o "mau comportamento da agência" para com os passageiros, não lhes facultando sequer um prato de comida durante o tempo em que o navio esteve imobilizado em S. Nicolau. “Oferecemos pequeno-almoço e almoço aos passageiros e, inclusive, o nosso representante na ilha levou muitas pessoas à sua casa para poderem tomar um banho. Prestamos toda a assistência possível. Eu também já estive à espera por mais de 48 horas por uma ligação, inclusive perdi a conexão internacional, e não me foi oferecido nada. As pessoas têm de entender que Cabo Verde é um país pobre”.
Entretanto, o presidente da STM explica que o navio esteve parado no porto de São Nicolau durante 24 horas porque houve uma avaria numa válvula. Só foi possível seguir viagem por volta das 22 horas da terça-feira porque Câmara Municipal do Tarrafal cedeu à agência um compressor.
“É verdade que neste momento o barco não está a desenvolver muito. Mas isso porque o navio foi totalmente remodelado e três dos quatro motores foram substituídos. Tarrafal está a fazer rodagem, numa velocidade de 8/9 nós. Não se pode exigir muito das máquinas, sob pena de causar avarias”, explica.
Manuel Borges informa ainda que, de Janeiro a Junho, foram investidos mais de um milhão de euros na reparação do Tarrafal, um barco roll on roll off que não proporciona lucros porque não existem camiões e viaturas para transportar e assim rentabilizar o investimento. “Sublinho que neste momento empregamos cerca de 120 pessoas, que recebem os seus salários religiosamente. As despesas são muitas e não recebemos um tostão de subsídio nem do governo de Cabo Verde, nem das Canárias”.
No meio de tanto infortúnio, esse incidente com o navio Tarrafal teve "uma vertente positiva". É que, devido à impossibilidade de chegar à ilha de São Nicolau com as peças, a STM decidiu adquirir um navio-oficina para responder a situações de emergência fora da ilha de São Vicente.
“Esta avaria mostrou-nos que quando os nossos barcos estão fora de São Vicente nada podemos fazer para resolver situações imprevistas. Com um navio-oficina, fica fácil fazer reparações rápidas. Pedimos desculpas aos passageiros e à população pelo transtorno. Pedimos ainda às pessoas para continuarem a confiar no STM”, arremata.
Constânça de Pina
Cidade da Praia























