HISTÓRIA

A SEMANA : Primeiro di?rio caboverdiano em linha

CABO VERDE: VIAGEM PELA HISTÓRIA DAS ILHAS({{continuação}}) 07 Junho 2010

Os tempos do Porto Grande

Mas em 1835 pareceu que finalmente chegava a hora de Cabo Verde. Nesse tempo, já a orgulhosa cidade de Ribeira Grande da ilha de Santiago caía em ruínas e as demais ilhas jaziam no abandono. Porém, na sequência da vitória dos liberais de D.Pedro IV, defensores da modernização económica e social do Império, ocorre a visita a Mindelo do inglês John Lewis, funcionário da Companhia das Índias, que pretende avaliar as condições do Porto Grande para servir de ponto de escala para reabastecimento dos navios da sua Companhia.

Por: Germano Almeida

CABO VERDE: VIAGEM PELA HISTÓRIA DAS ILHAS({{continuação}})

E de facto, passada a fase de instalação, os anos seguintes são auspiciosos e durante eles, Cabo Verde, através do Porto Grande, vai conhecer um periodo de prosperidade de certa forma comparável à Ribeira Grande no tempo do tráfico de escravos: o Porto Grande transforma-se no maior porto carvoeiro do Atlântico médio, a cidade do Mindelo converte-se numa babel de culturas e raças, irradiando para o resto do arquipélago as mais diversas mercadorias chegadas através dos navios que diariamente demandam o seu porto, os fustigados pelas secas e demais desempregados das ilhas demandam S.Vicente como terra de promissão. Mindelo é o pulmão por onde respira Cabo Verde, dirá com entusiasmo João Augusto Martins em 1891 no seu livro, Madeira, Cabo Verde e Guiné.

Dir-se-á anos mais tarde que a administração portuguesa de tal forma acreditou que a posição geográfica de S.Vicente e as condições naturais do Porto Grande conferiam a Mindelo um lugar cativo nas rotas entre Europa e América do Sul, que só deu pelo erro 40 anos depois, quando já era tarde de mais para tentar concorrer com as Canárias ou com Dakar cujo desenvolvimento precisamente nessa altura era cada vez mais acentuado.

Assim, não apenas não se preocupou em criar condições facilitantes de comércio num porto onde os navios encontravam dificuldades até no fornecimento de refrescos e vitualhas, como também deu-se ao luxo de à sua vontade aumentar imposto sobre o carvão com vista a aumentar as receitas da província.

No entanto a prosperidade do Porto Grande consegue manter-se estável até 1889, ano em que se começa a assistir ao seu declínio e concomitantemente ao da cidade nascida à sua sombra, que não tem qualquer outra fonte de sobrevivência para além do porto, razão por que o abandono deste significava pura e simplesmente a sua asfixia. Muitos sugerem transformar a cidade do Mindelo num depósito geral de mercadorias para abastecimento da província e mesmo da Guiné, ou então declarar porto franco o Porto Grande de S.Vicente. Porém, na nada se faz em concreto.

A sociedade do Mindelo tinha acreditado na perenidade do bem-estar de que gozava e não estava preparada para a desagradável ruptura que começava a desenhar-se no seu desenvolvimento.

Com o fim de tentar pôr cobro à situação de instabilidade que tinha acabado por afectar de forma perigosa a vida da cidade, em Outubro de 1899 os negociantes e proprietários da ilha decidiram endereçar ao Ministro do Ultramar um vasto pacote de reivindicações e propostas que na sua opinião deveriam servir para o relançamento do Porto Grande. Entre essas medidas incluíam obviamente o desagravamento fiscal das companhias carvoeiras, o licenciamento de outras companhias não inglesas, como por exemplo nomeadamente francesas e alemães, tanto mais que em 1886 tinha já havido uma experiência da firma alemã Brener & Cª de fornecimento de combustível através de um depósito flutuante. Mas sobretudo pediam não só a rápida modernização dos serviços portuários como também o seu necessário embaratecimento, que viria finalmente a acontecer no ano de 1937, quando o governo resolveu baixar os impostos que pesavam sobre o carvão, medida insistentemente reclamada como necessária para o desenvolvimento de S.Vicente e de Cabo Verde, mas que chegava com um atraso de quarenta anos, quando as estações carvoeiras já estavam quase fora de moda, com o fuel ocupando vitoriosamente o lugar do carvão.

(continua)

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