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População cabo-verdiana: “57% dos genes são de origem africana e 43 %, de origem europeia” 27 Maio 2010

"A população cabo-verdiana é das mais miscigenadas do planeta", em que “57 por cento dos genes são de origem africana e 43 por cento são de origem europeia”. Esta é a conclusão do estudo “A diversidade genética de Cabo Verde”, realizada por Jorge Rocha, do Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto (Portugal).

População cabo-verdiana: “57% dos genes são de origem africana e 43 %, de origem europeia”

O investigador apresentou esta semana ao público os resultados de um projecto, desenvolvido com a cooperação da Universidade de Cabo Verde, que visa a caracterização da biodiversidade do arquipélago. De acordo com o site Ciência Hoje, no que concerne à espécie humana, “as ilhas são um ponto de encontro de populações provenientes de várias regiões muito diversificadas”.

Tendo em conta que, quando foi descoberto, este arquipélago era desabitado e foi colonizado por indivíduos de origem europeia e mão de obra escrava das regiões adjacentes do continente africano, Cabo Verde tornou-se numa amálgama de populações que, noutras condições, estiveram muito diferenciadas.

Essa amálgama é visível na espécie humana a vários níveis, desde o biológico ao cultural. Visto que houve a “geração de uma enorme quantidade de biodiversidade ou uma reorganização da diversidade, muitas características que estavam separadas aparecem miscigenadas”, sublinhou o investigador do IPATIMUP.

Ilha do Fogo é a mais miscigenada

Jorge Rocha acrescentou que a distribuição da miscigenação também pode ser avaliada de ilha para ilha. A mais africana é a ilha de Santiago, a primeira a ser colonizada e onde desembarcou a grande massa dos escravos, sendo que muitas outras ilhas já foram povoadas por pessoas que eram mestiças. Já a ilha mais miscigenada é a do Fogo, a segunda a ser colonizada a partir de famílias emergentes da aristocracia mestiça local.

Relativamente aos colonos de Cabo Verde, a maior parte dos indivíduos europeus era de origem portuguesa e a maior parte dos africanos proveio, em termos históricos, da África Ocidental. A população mais africana do arquipélago é muito provavelmente originária de escravos vindos dos povos Mandinga, um dos maiores grupos étnicos da África Ocidental.

Além disso, a miscigenação deu-se quase sempre com o cruzamento de homens europeus com mulheres africanas, o que está de acordo com o povoamento uma vez que havia falta de mulheres europeias durante a colonização de Cabo Verde.

Pigmentação e cor de olhos

Uma das características mais evidentes dessa miscigenação é a pigmentação, sendo essa uma parte fulcral deste trabalho sobre a diversidade genética de Cabo Verde. Nas populações miscigenadas do arquipélago, há uma série de combinatórias dentro da mesma população que não são encontradas em outras populações africanas ou europeias. Esta variação foi estudada de uma forma quantificada através da medição da pigmentação. “É possível fazer um índice de melanina – a substância que dá cor à pele – e fazer uma distribuição da melanina”, sustentou o autor do estudo.

À descoberta dos genes

Os investigadores envolvidos neste trabalho caracterizaram 364 indivíduos de Cabo Verde, cada um deles com um milhão de marcadores genéticos. “Os indivíduos das mesmas ilhas tendem a estar mais parecidos geneticamente”, acrescenta.

A miscigenação pode ser avaliada também ao nível dos genes. Segundo as estimativas dos investigadores do IPATIMUP, “57 por cento dos genes são de origem africana e 43 por cento são de origem europeia”, o que faz de Cabo Verde uma das populações que representam mais miscigenação na Terra, “muito mais do que até em certas zonas do Brasil”.

“Sabemos que a cor da pele é hereditária, mas não sabemos muito bem quais os genes que a influenciam”, referiu Jorge Rocha. Como tal, uma das partes centrais deste trabalho tem sido usar a população de Cabo Verde para saber quais são os genes que influenciam a cor da pele e a cor dos olhos.

Recorreram assim ao marcamento por miscigenação e verificaram que pelo menos cinco genes estão responsáveis por 40 por cento da variação da cor da pele em Cabo Verde, ou seja, das diferenças entre europeus e africanos na cor da pele.

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