Cultura

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Kriol Jazz Festival: Guitarras geniais, um piano mágico e a melodia do kora 10 Abril 2010

Começou a segunda edição do Kriol Jazz festival. A praça Dr. António Lereno transformou-se numa sala de espectáculos onde já se ouvem sons do mundo. O clã Alves abriu o palco´.

Kriol Jazz Festival: Guitarras geniais, um piano mágico e a melodia do kora

Kim Alves, ladeado pelos seus irmãos Kako e Tó Alves, abriu o palco da segunda edição do Kriol Jazz festival. Kim, exímio executante, compositor, autor e criador fez um “re-style” dos seus sons para um espectáculo especial onde a palavra fusão fez um outro sentido.

O músico do clã Alves proporcionou uma viagem musical pelos ritmos tradicionais de Cabo Verde, presentes no seu trabalho “Dança das Ilhas”, mas com uns toques de jazz, soul, blues. O resultado foi uma mistura de ritmos “jazzados”. Sim, “jazzados”. Essa foi a palavra que Kim Alves utilizou para mostrar a forma como incorporou o jazz na sua já tão rica carteira de melodias e estilos. Em jeito de despedida Kim levantou a “ponta do véu” do seu novo trabalho que deverá sair em breve.

O palco ficou, assim aberto, e bem aberto, para os senhores que se seguiram. Provavelmente a dupla mais aguardada da noite. Ralph Tamar e Mario Canonge, dois nomes que figuraram no cartaz do ano passado, mas que, por razões logísticas, não conseguiram marcar presença. Desta vez o espectáculo cumpriu-me. Uma voz experiente e um piano que nunca parou transportaram o público até às noites quentes e dançantes das Antilhas Francesas. Mario Canonge “mandou” no piano. Explorou todas as teclas, todos os sons e ritmos. Salsa, merengue, blues, jazz a definir uma carreira longa, com paragens em muitas latitudes. E é assim que o jazz nasce, de fusões, nacionalidades, influências.

Em hora de despedida, a dupla não escondeu a emoção de tocar na “criolidade” que também lhes corre nas veias. Ralph Tamar confessou que a ligação a Cabo Verde é para manter até porque tem alguns projectos a “nascer” com o músico Mário Lúcio.

Esta noite de fusões e jazz de muitos estilos surpreendentes prosseguiu com René Lacaille e a irreverência de um acordeão que já toca “sozinho” e está preparado para todas as amplitudes sonoras. René viajou da Ilha da Reunião para Cabo Verde com uma proposta musical que animou o público e o fez mergulhar, ora na nostalgia que só o som do acordeão consegue transmitir, ora na alegria das festas celebradas entre amigos.

Fechar o palco foi honra atribuída ao trio Kora Jazz. Em palco uma percussão, um piano, e um kora, e claro, três tocadores de luxo: Moussa Cissoko, Abdoulaye Diabaté, ambos senegaleses e a liderar um fantástico kora de 32 cordas, o guineense Djeli Moussa Diawara. Ingredientes e nomes que fazem parte da história do jazz tocado na costa ocidental africana e que saltou fronteiras e barreiras sob a etiqueta de “música do mundo”.

Cumpriu-se a tradição. Um espectáculo intimista, que começou linear, quase tímido, para depois se ir libertando até explorar muitas possibilidades musicais, sempre com o jazz clássico a servir de base e suporte.

E assim fechou o palco, ao som melodioso do kora, lado a lado com o piano de cauda que “teve em cena” toda a noite, e foi protagonista em várias mãos e vários estilos.

Cartaz para Hoje

Princezito abrirá o palco pelas 20 horas e a música promete manter-se até por volta da uma da manhã. Tumi and The Volume, o brasileiro Jacques Morelenbaum e Manhattan Transfer compõe o cartaz da segunda e última noite de festival. Entretanto durante a tarde o auditório da UniCv vai receber os workshop’s e encontros com os artistas.

Fotos: Pedro Moita

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