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João Furtado lança memórias de São Tomé 28 Novembro 2009

É cabo-verdiano mas nasceu em São Tomé e Príncipe. Viajou até Cabo Verde aos 25 anos e com 50 decidiu publicar as memórias vividas no país que o viu nascer. Lembranças que revelam a história dos emigrantes em STP e devem ser considerados registos históricos de uma comunidade que nunca revelou as suas vivências. “A Árvore de Fruta Pão” é um livro de contos.

João Furtado lança memórias de São Tomé

“Não sou escritor, gosto é de brincar com as palavras. Como sofro de insónias e não gosto de tomar medicação, passo as noites a brincar com as palavras”, conta João Furtado que lança o seu primeiro livro. Apesar de já ter participado numa antologia com mais autores de língua portuguesa, “Amor”, e de ter na gaveta um romance escrito a duas mãos, com uma portuguesa que nunca conheceu, a não ser na internet.

Na hora de falar, a emoção roubou a voz a João Furtado que só conseguiu dizer que as memórias ali escritas não são dele, mas sim do pai. “O meu pai não sabia escrever, escrevia o nome mas mal. Mas não sou eu que ali estou, é o meu pai. O livro é do meu pai”.

Um livro de vários contos que mais não são as memórias da sua infância em São Tomé, na ilha do Príncipe, onde nasceu e viveu até aos 25 anos. Filho de mãe guineense - que por sua vez era filha de cabo-verdianas – e de pai cabo-verdiano, João Furtado tem uma única ligação ao país que o viu nascer: as duas irmãs e sobrinhos que lá ficaram.

De São Tomé trouxe as memórias de uma infância marcada pela “pouca brincadeira” e pela “vivência quase adulta, embora criança, que se tinha na altura”. “Os contos revelam bem as vivências do João e o sofrimento que sentia juntamente com os adultos, apesar de ser ainda uma criança, assim como as dos restantes cabo-verdianos que ali viviam. E conta as histórias sem drama, cativando a sua leitura”, descreve Antonieta Lopes que apresentou a obra “A Árvore da Fruta Pão”.

Apesar de os contos serem ficção, Antonieta Lopes defende que “são muito mais verosímeis do que parecem”. João Furtado não desmente. “Quando estamos a ler questionamo-nos até onde vai a realidade. Não é real mas quem conta tem a memória e a memória faz a revalorização da história”, considera.

Neste sentido, Antonieta Lopes considera o livro “um bom relato histórico, que preserva vivências que nunca ninguém escreveu, porque a história que está registada é abstracta e oficial, de números, não de vivências”.

Classifica o autor como “um bom contador de histórias, um bom narrador e com uma escrita com interesse, sem grandes detalhes que por vezes sós desviam a atenção do centro da história”, revela. “Este livro é um bom recurso para quem queira investigar mais e pesquisar sobre a história dos emigrantes em São Tomé”, acrescentou.

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