OPINIÃO

A SEMANA : Primeiro di?rio caboverdiano em linha

Postal de Lisboa 05 Abril 2007

À memória do que foi o crime por racismo, em 1995, num Portugal livre e Democrático - a morte de Alcino Monteiro, cabo-verdiano, pontapeado por vinte “Skinheads”, na chamada “Noite Negra no Bairro Alto” do dia 10 de Julho, aos gritos de "morte aos pretos" e "Portugal é nosso” - faz-me gritar para que, não podendo exercer qualquer tutela, não percamos a lucidez nem a capacidade de indignação perante a atitude xenófoba de um partido de extrema direita.

Por: Otília Leitão

Postal de Lisboa

O Partido Nacional Renovador, que, mimetando ou não a Frente Nacional de Jean-Marie Le Pen, em França, vem, qual erva daninha, encontrando terreno fértil numa sociedade em baixa estima, incitando à discriminação contra os emigrantes e mesmo assim, ousando reivindicar voz no Parlamento com eleição de deputados.

Não constitui seguramente um bom augúrio, se observarmos o que se passa em alguns países europeus. O cartaz colocado na semana passada no Marquês de Pombal, em Lisboa: “Basta de Imigração. Nacionalismo é solução. Façam boa viagem” numa incitação estudada, obteve vozes de repúdio de vários quadrantes políticos e governamentais, mas também sobre o qual se leram algumas opiniões que não consideram o cartaz criminógeno, admitindo até que qualquer proibição roce a violação de preceitos constitucionais, nomeadamente no que se refere à liberdade de expressão.

Opinadores políticos e até constitucionalistas minimizaram o potencial risco deste tipo de propaganda, talvez por conveniências do “politicamente correcto”, mas, tenho ainda na lembrança como começaram os Skinheads em 1978. Quanto ao “MAN”, o partido nazi a que pertenciam e que foi extinto pelo Tribunal Constitucional, desconfio que tem vindo a metamorfosear-se de “Nova Ordem”, primeiro, “Nova Ordem Social”, depois. Agora é PNR“(lembram-se do Pedro Grilo que apanhou 24 anos pela morte do dirigente José Carvalho, do PSR, em 1989? Por onde anda ele depois de uma planeada fuga da prisão?).

De facto, aqueles “skinheads” (cabeças rapadas) de botas cardadas, do Bairro Alto, tal como os jovens do PNR de hoje, não correspondem à tradicional direita portuguesa de Salazar, mas são jovens de classe média-baixa,que expressam a sua revolta numa ideologia extrema e, ao mesmo tempo subtil, conhecedora das leis, para que possam minar sem serem apanhados na detonação.

Não deixa de ser estranho que o responsável deste partido, José Pinto Coelho, e que critica o que designa por “política de porta aberta” à imigração, seja uma pessoa que terá sido também emigrante no Brasil, durante três anos.

Só uma xenofobia e autismo é que poderão impossibilitar os portugueses de reconhecer o desenvolvimento do país devido aos emigrantes e prestar-lhes o devido respeito. Que Lisboa teríamos se a força laboral estrangeira não tivesse erguido uma capital monumental moderna, ligada por uma rede de estradas que nos tirou do isolamento? Quantas mulheres veriam limitada a prossecução das suas carreiras profissionais, se não tivessem a ajuda na prestação doméstica e apoio aos filhos, por pessoal estrangeiro? Ou mesmo o que seria de muitas localidades de casas vazias e gente já trôpega, se não fossem estas novas crianças portuguesas geradas por emigrantes.

Por prevenção, que sejam pois incessantes os “msns”, para que todos aqueles que amam a liberdade e zelam pelos direitos humanos, mantenham acesos os faróis da vigilância.

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