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A SEMANA : Primeiro di?rio caboverdiano em linha

Bitori Nha Bibinha apresenta novo álbum em breve 28 Maio 2017

Bitori Nha Bibinha, um dos grandes tocadores de gaita ( acordeão) e um ícone do funaná, entra, no fim deste mês, no estúdio para gravar o seu segundo trabalho discográfico. Segundo ele, o novo álbum será apresentado ao público em breve. Hoje, aos 79 anos, Biotori continua a ensinar aos interessados a arte de tocar a gaita “acordeão”. O artista santiaguense foi, neste ano, homenageado com prémio carreira na gala dos CVMA, onde diz ter ficado contente por esse reconhecimento público.

Bitori Nha Bibinha apresenta novo álbum em breve

“Fiquei muito feliz com o prémio porque é o reconhecimento do meu trabalho, visto que nunca ganhei nada na minha vida. Assim, sinto-me mais motivado para ensinar aos meus alunos a tocarem gaita», conta emocionado.

O músico popular anuncia que está a caminho de Holanda para gravar mais um álbum. «Vou entrar, no fim deste mês, no estúdio para gravar o meu segundo álbum na Holanda. Ainda está sem título, mas posso garantir que vai albergar muito funaná e coladeira”, assegura o músico, gesticulando com ar contente.

Bitori Nha Bibinha é um grande intérprete e compositor do funaná. Comparandado o funaná dos anos anteriores com os dias de hoje, considera que há muita diferença. « Hoje é difícil encontrar pessoas a tocar samba, apesar de encontrar muitos ritmos no funaná».

Além de shows realizados dentro e fora do país, Biotiri promove workshop depois de cada actuação, onde fala um pouco da cultura cabo-verdiana, da origem da gaita e do ferro desta, bem como do tradicional pano de terra.

Percurso do artista

O artista, de nome próprio Victor Tavares, tem uma longa e rica história de vida. Nascido a 10 de Março de 1935, em São Nicolau Tolentino, na altura freguesia do concelho de São Domingos, ilha de Santiago, ficou mais conhecido no meio artístico como Bitori Nha Bibinha.

Conta que para conseguir comprar a sua primeira gata, passou por maus bocados: teve que ir trabalhar na roça de cacau em São Tomé e Príncipe aos 18 anos. Descreve que depois de um ano de trbalho conseguiu juntar 450 escudos, isto apesar de, na altura, uma gaita custava 750. «Mas com a ajuda do patrão, fiz um empréstimo e consegui comprá-la. Hoje o instrumento faz parte de uma colecção privada nos EUA».

Bitori recorda, por outro lado, que para a entrada na antiga Roça Rio Douro existia uma inscrição: “Quem entra, não sai. Quem sai não entra”. Mas como não pretendia ficar lá, disse que depois de três anos em S.Tomé regressou a Cabo Verde.

Estando na sua terra natal, disse que passou a tocar gaita pelos bairros de São Domingos, apesar de na altura era proibido pelos portugueses executar e interpretar o funáná e outros ritmos tradicionais de Cabo Verde. É que, segundo lembra, muitas vezes as autoridades obrigavam-lhe a parar de tocar, com ameaça de que, caso não obedecesse, ficavam com a gaita e ele seria conduzida à cadeia.

De Chando Graciosa ao 1º CD

Entretanto, Botori de Nha Bibinha faz questão de realçar que foi importante para a sua carreira ter conhecido, mais tarde, o grande músico Chando Graciosa.“Quando conheci Chando Graciosa, fundamos o grupo Peitoral. Começamos a actuar em bares, restaurantes e festas. Também fomos para Portugal. Com o tempo, Chando e Zé Mário (outro integrante da banda) não regressaram mais a Cabo Verde. Mas eu tive que voltar e continuar a minha vida em Cabo Verde, dando pequenos concertos pelos bairros».

Já em 1997, Bitori foi convidado para ir à Holanda gravar o seu primeiro trabalho discográfico com o título “Bitori Nha Bibinha”. O mesmo álbum foi reeditado em 2016, com a desgindação “Legend Of Funaná́ (The Forbidden Music of The Cape Verde Islands), ou seja, «A Lenda do Funaná» ( A música proibida das ilhas de Cabo Verde).

Mas a carreia desse grande tocador de gaita acordeão da ilha de Santiago não ficou por aí. Em 2014, Miriam Brenner, a actual manager (gestor) de Bitori, conheceu Samy Ben Redjeb, que mais tarde lhe deu a conhecer o Atlantic Music EXPO (AME) e o trabalho de Bitori Nha Bibinha. O artista prepara agora para lançar o seu segundo álbum, que trazer sobretudo os ritmos quentes de funaná e coladeira. Paula Tavares

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