OPINIÃO

A SEMANA : Primeiro di?rio caboverdiano em linha

Cabo Verde na Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental 12 Maio 2017

A região tem potencialidades para ser um ninho de oportunidades laborais/empresariais, caso soubermos aproveitar as inúmeras lacunas e potencialidades existentes. Não custa nada tentar, com seriedade. Mas, a questão é que até hoje os líderes cabo-verdianos não souberam o que fazer com essa nossa integração regional e temo que mesmo com mais esta nossa chamada de atenção e dicas continuem impávidos e impotentes.

Por: Carlos Fortes Lopes, MA (A voz do Povo Sofredor)

Cabo Verde na Comunidade  Económica  dos Estados da África Ocidental

"A integração económica dos países da África Ocidental só será alcançada com a paz, estabilidade e democratização plena da região", disse assim o presidente cabo-verdiano Jorge Carlos Fonseca durante uma cerimónia na Assembleia Nacional de Cabo Verde.

Contudo, a nosso ver o presidente ignorou um fator importante que é: a democratização de qualquer sociedade só é possível com o envolvimento e determinação de pessoas democratas.

Os tais problemas que afligem esses povos só serão solucionados com a total integração e não com países membros a fazerem o infinito compasso de espera.

Esqueceu-se também de salientar que a integração económica sempre desempenhou uma função primordial na união dos povos e das nações e essa integração é mais necessária quando os países dispõem de um fraco mercado interno. No nosso caso, a não disponibilidade de certos meios de produção (matérias primas e espaços industriais) e a fraqueza de um país arquipelágico, sem capacidades profissionais de negociação internacional, é um problema sério e exigente. E, é nesse sentido que as políticas locais devem procurar o complemento das suas acções de concertação internacional, de forma a conjugarmos os esforços e conseguir resultados positivos para a nossa sociedade (emprego e cooperações empresariais).

A democratização plena da região é um importante desafio e só envolvendo-nos diretamente e com determinação seremos capazes de contornar os males que afligem este grupo dos 15 países da CEDEAO.

O chefe do Estado cabo-verdiano entende que "é necessário incentivar a democratização dos Estados da região" e sustenta que "sem democracia a integração e o desenvolvimento ficam comprometidos, mas omite a necessidade do envolvimento direto de pessoas com algum conhecimento no processo de implementação da democracia nas sociedades.

"Os nossos países necessitam da democracia como do pão para a boca" e a democracia é um processo que necessita de muito carinho e dedicação dos líderes políticos e sociais.

A paz, a estabilidade e a democratização plena da região só serão alcançadas se houver a total integração de sujeitos democratas e; Cabo Verde tem todas as condições para desempenhar um papel de destaque nesse processo, desde que souber definir as suas prioridades e souber aproveitar das oportunidades existentes no seio dos países que constituem esta riquíssima e anti-democrata região africana.

A integração económica entre esses 15 países e dos cerca de 300 milhões de consumidores constitui uma oportunidade de ouro para Cabo Verde, caso o nosso país souber criar espaços para a integração da sua indústria da informática e mão de obra qualificada. Essa mão de obra, poderá também servir como a tal influência democrática no processo de democratização dessa vasta e complexa sociedade.

Se soubermos tirar proveito do mercado laboral existente na região, não só estaremos resolvendo a parte mais crítica da nossa estabilidade interna como estaremos a criar espaços para os nossos empreendedores tentarem a sua integração, "explorando" o rico mercado regional. Sendo nós um arquipélago, temos que integrar-nos, mas, durante o processo de integração regional, não podemos ignorar as nossas especificidades e vulnerabilidades de país pequeno e insular. Só assim seremos capazes de tirar todos os dividendos políticos e econômicos possíveis.

De salientar que a CEDEAO foi criada em 1975 pelo Tratado de Lagos e é constituída por 15 países que têm como objetivo promover a integração económica dos seus membros, entre os quais se consta, desde 1976, Cabo Verde.

Benim, Burkina Faso, Costa do Marfim, Gâmbia, Gana, Guiné-Conacri, Guiné-Bissau, Libéria, Mali, Níger, Nigéria, Serra Leoa, Senegal e Togo.

Para que Cabo Verde tenha sucessos em desfrutar das potencialidade desta região continental, teremos que criar parcerias concretas em ambos os sectors dos transportes (usando os nossos portos e aeroportos como placas giratórias da região), de forma a facilitar o trânsito de pessoas, bens e produtos entre o arquipélago e a região. Já sabemos que a TACV é uma empresa que não dá lucros, há décadas, e para funcionar os contribuintes têm vindo a exercer o papel de mula e, o atual Governo está empenhado e terá que encontrar uma solução urgente para esse cancro no empresariado público nacional. O aviso do Banco Mundial é somente um, se se tivermos em conta que existem outros parceiros que continuam contribuindo para o Orçamento Geral do Estado de Cabo Verde. A nossa companhia aérea de bandeira terá que ser reestruturada de forma a colmatar as lacunas internas de transporte aéreos e procurar parceiros para satisfazer as necessidades regionais.

Conforme já havia sugerido numa entrevista que concedi à rádio Morabeza em 28 de Setembro de 2015, se o bom número de funcionários com 60 e mais anos de idade forem reformados antecipadamente, procedendo, de imediato, á reestruturação dos departamentos e a respectiva divisão da atual empresa em duas empresas distintas (nacional e internacional), estaremos no caminho certo para resolver o problema da TACV e dos transportes aéreos nacionais. Com essas medidas de crise de gestão estaremos criando espaço para um investimento regional (Guine Equatorial?) e uma nova dimensão no desempenho das atividades industriais e laborais da empresa.

A região tem potencialidades para ser um ninho de oportunidades laborais/empresariais, caso soubermos aproveitar as inúmeras lacunas e potencialidades existentes. Não custa nada tentar, com seriedade. Mas, a questão é que até hoje os líderes cabo-verdianos não souberam o que fazer com essa nossa integração regional e temo que mesmo com mais esta nossa chamada de atenção e dicas continuem impávidos e impotentes. Esta região pode servir-nos de incubadora laboral/empresarial para os nossos jovens desempregados e demais empreendedores estabelecidos aqui no território.

As minhas investigações me levam a acreditar que Cabo Verde poderá fornecer muita mão de obra a alguns desses países, estabelecer negócios rentáveis em países como a Guiné Equatorial, etc., o suficiente para resolver o problema do desemprego nacional. Os nossos vizinhos regionais já deram amostras claras de serem grandes empreendedores aqui no nosso país e chegou a nossa vez de singrarmos nos países deles. Ou será que ainda não somos capazes de ir à terra deles vender as nossas mãos de obra qualificadas e as nossa expertises tecnológicas e outros serviços? Sejamos coerentes e façamos o nosso trabalho de casa bem feito, de forma a evitarmos situações desnecessárias de comunicações apressadas e desfasadas e, aproveitemos as oportunidades que nos espreitam nesta região na qual estamos oficialmente inseridos desde 1976 (41 anos).

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