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"Te quoque, Brute?" Ou: Trump liquida Comey 13 Maio 2017

As razões para o presidente Trump ter, esta terça-feira 9, demitido o director do FBI (na foto) estão ainda por esclarecer. Recorde-se que o director Comey é — pela forma como fez as comunicações sobre a investigação do FBI relativa à controvérsia dos emails da “Secretária de Estado Clinton” — mesmo apontado como um dos principais factores na derrota de Hillary Clinton (também na foto).

Por: A. Teresa Pires Paulo

O director Comey, agora ex-, é alegadamente mandado embora porque: i) O presidente não gostou de ouvir que não havia nada para ser investigado, porque não tinha sido espionado na Trump Tower; ii) para investigar a alegada interferência russa na eleição presidencial pedira "mais verba"; iii) teria cedido a Trump dizendo-lhe que não era visado na investigação sobre a Rússia, durante "um jantar muito simpático", segundo o presidente Trump que acredita que essa tentativa de suborno aconteceu porque Comey "queria continuar a dirigir o FBI e eu disse-lhe que ia pensar nisso".

É bom sublinhar que é tudo "alegado" —mesmo se o Washington Post afirma que "mais de 30 funcionários da Casa Branca" acreditam na tese i). Tudo é "alegadamente", ou seja, não se apurou ainda a verdade, mesmo em iii) que aparece como citação do presidente no Washington Post e que está até mencionado na carta de despedimento entregue a Comey no dia 9. Aliás, quem sabe se em 2117 não se estará a comemorar o centenário deste enigma.

Ainda que há dois meses (em 5 de Março, vd artigo nº123667, de 7/3) noticiava-se que Comey e o então director da Segurança Nacional, James Clapper, mantinham a mesma posição sobre alegações de que Trump teria sido espionado, por ordem da administração Obama.

Recorde-se que o director Comey foi muito criticado pela forma como fez as comunicações sobre a investigação do FBI relativa à controvérsia dos emails da “Secretária de Estado Clinton”. A pouco mais de uma semana das eleições, lançou tantas dúvidas sobre o caso que tinha em mãos que — como apontado em vários estudos, nomeadamente estatísticos sobre os estados de Minnesota, Pensilvânia e Wyoming(se não erro) — condicionou a escolha dos eleitores.

O director Comey bem pode repetir o "Te quoque, Brute?" de César traído por Bruto, o seu escolhido. Tal como César, James Comey (alega-se) ajudou Trump durante a campanha. Talvez para agradar ao novo chefe? Tê-lo-á feito por cálculo ou por ineficiência? Respostas ainda não há.

Mas o que é certo é que Comey acabou por desagradar a Trump. Ei-lo despedido quase a meio do seu mandato de dez anos.

Nota - "Te quoque, Brute?" (Até tu, Bruto?): expressão atribuída a Júlio César, assassinado por Bruto — que ele protegera. Teriam sido as suas últimas palavras.

Fonte da foto: NY Times, de 6/3/2017

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