OPINIÃO

A SEMANA : Primeiro di?rio caboverdiano em linha

A sociedade cabo-verdiana 08 Maio 2017

Neste momento, a situação é preocupante e o país está mergulhado numa dívida (127% do PIB) jamais vista num país de fracos recursos naturais e de uma economia quase totalmente dependente das ajudas externas (remessas dos países amigos e da nossa emigração). Os números que circulam são preocupantes e desoladores, para este povo que continua desempregado e à mercê das manobras políticas dos governantes. Evidentemente ainda o Governo não conseguiu vislumbrar a real solução, porque muitos dos seus elementos são pessoas arrogantes e descartam tudo que lhes é fornecido por cidadãos preocupados com a situação da miséria na sociedade cabo-verdiana.

Por: Carlos Fortes Lopes, M.A. (A Voz do Povo Sofredor)

 A sociedade cabo-verdiana

Até 2010 o sistema Socio-econômico nacional funcionava fluidamente. Com o abastecimento de centenas de milhões de dólares e euros, a nossa economia era considerada, pelos governantes, de excelente, apreciada como uma referência africana, um exemplo de modernização e desenvolvimento, um polo de inovação e um orgulho nacional. Os elogios e os encómios não eram apenas ouvidos na comunicação social (que sempre deixou-se ser ludibriada pela sociedade política nacional).

Inclusivamente, essas mentiras foram aceites e partilhadas por instituições estrangeiras como a União Europeia, apesar de, em repetidas ocasiões, o Fundo Monetário ter chamado a atenção do Governo que optou por ignorar essas chamadas de atenção, sobre a forma de gastar o pouco existente nos cofres do Estado de Cabo Verde, endividando o pais. Em 2011, esse partido que suportava o Governo durante os dez (10) anos anteriores acabou por renovar o mandato, ganhando as eleições na base de mentiras e a utilização dos funcionários e veículos das instituições estatais, nas campanhas eleitorais. Com o apoio de Portugal (amizades duvidosas entre os dois Primeiro Ministros na altura), Cabo Verde havia contraído dívidas avultadas nas bancas de Portugal para prosseguir com a casmurrice do projeto "Casa Para Todos", cópia do projecto "habitação jovem" de Portugal. Essas dívidas foram aumentando com o tempo e ao serem adicionadas às dívidas da TACV e outras, destruíram por completo a economia nacional, colocando o país num patamar que exige muitos cuidados e tomada de decisões pouco populares.

Neste momento, a situação é preocupante e o país está mergulhado numa dívida (127% do PIB) jamais vista num país de fracos recursos naturais e de uma economia quase totalmente dependente das ajudas externas (remessas dos países amigos e da nossa emigração). Os números que circulam são preocupantes e desoladores, para este povo que continua desempregado e à mercê das manobras políticas dos governantes. Evidentemente ainda o Governo não conseguiu vislumbrar a real solução, porque muitos dos seus elementos são pessoas arrogantes e descartam tudo que lhes é fornecido por cidadãos preocupados com a situação da miséria na sociedade cabo-verdiana. O velho sistema de manter a pobreza intata para poder dividir e governar à base das mentiras continua. As soluções para o emprego em massa começam pelas oportunidade existentes no meio rural e que continuam sendo ignoradas e descartadas, pela maioria da elite política na capital que já esqueceu de onde vieram e quais as potencialidades do meio rural. Sendo já, várias vezes denunciado nas redes sociais e jornais da praça que estamos perante vários casos de peculato e que os assuntos exigem a intervenção imediata da polícia judiciária, os políticos continuam utilizando das suas prepotências para manipular o sistema e manter os criminosos fora do alcance do sistema judicial que por sua vez não tem conseguido se livrar das garras da política e influências alheias. Todos os dados publicados até hoje continuam dando indícios claros da existência de gestão danosa ou crime de peculato, nalgumas instituições públicas e, os parlamentares continuam insistindo em fazer o trabalho que desconhecem e que até hoje nunca foram capazes de fazer, com isenção, devido ao anterior envolvimento da maioria desses elementos, em casos semelhantes. Os partidos políticos limitam-se a umas comissões parlamentares de inquérito sem grandes consequências práticas e, algumas propostas legislativas muito técnicas, de importâncias duvidosa. Aliás, formas de impressionar os menos atentos.

Bem sei que alguns desses prevaricadores e seus cúmplices terão que ser ouvidos no Parlamento, mas não vejo porque razão as investigações criminosas não iniciam logo que os dados vierem ao público e porque outros casos como o tal de "Fundão" ainda continuam nos segredos dos deuses e da infiltrada magistratura nacional. Temos muitos casos para serem investigados, com profissionalismo, e o Governo tem que procurar parcerias para formar mais elementos da PJ e criar um laboratório criminal para esses polícias científicos trabalharem com objetividade e determinação exigente da profissão. Precisa-se também de uma maior e determinada intervenção dos órgãos da Comunicação Social Nacional, dando seguimentos às notícias por eles difundidas, insistindo nos resultados das investigações e desfecho das mesmas. Há que dar mais atenção às discussões públicas sobre as falhas dos reguladores e do sistema judicial.

Só no caso do Novo Banco, existem mais de 50 potencialidades de processos criminosos e o Banco de Cabo Verde já alertou para esse facto. A justiça não pode continuar a ignorar esses factos. Perante esta conjugação de factos, poderíamos pensar que a sociedade cabo-verdiana está em plena convulsão. Estagnada, sem grande horizonte de crescimento, obrigada a suportar uma enorme carga fiscal para salvar a economia nacional sem nenhum aparente apuramento de responsabilidades. Mas o que mais me preocupa é a total passividade da sociedade cabo-verdiana. Politicamente, os sinais de descontentamento são muito ténues. Os partidos sem assento parlamentar são inexpressivos, os protagonistas da casa Parlamentar continuam sendo os mesmos, ou com mesmos ideais partidários. Sim, a abstenção eleitoral (mais votos brancos e nulos) vai subindo, aproximando-se dos 60% em eleições mas, sem consequências relevantes. Socialmente, apenas assistimos a protestos de esplanadas e cafés, pontas das esquinas e sofás. As movimentações cívicas são inexistentes e nem os cabo-verdianos querem sequer involver na luta de combate à corrupção politico-institucional.

Academicamente, o tema não interessa porque tudo nesta sociedade funciona com base nas políticas partidárias. No mundo da magistratura nacional, as reformas do Ministério Público ou da regulação continuam sendo temas interditas ao povo Sofredor.

Em resumo, a sociedade cabo-verdiana parece estar razoavelmente tranquila e apaziguada com os factos enumerados no último parágrafo. Mesmo com a globalização os jovens cabo-verdianos parecem estar anestesiados pelas farras, festivais, futebol português e espanhol e banhos de mar, o que é super preocupante.

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