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Banco Mundial: África Subsariana em tímida recuperação depois da pior queda económica em duas décadas 20 Abril 2017

O Banco Mundial (BM) revelou, nesta quarta-feira, que o crescimento económico na África Subsariana está a recuperar-se (previsão 2,9% de crescimento) em 2017, após registar, em 2016, o pior declínio em duas décadas. Estes dados constam do segundo novo Africa’s Pulse (A Pulsação de África), um relatório que consiste numa análise bianual da situação das economias africanas, efectuada pelo MB.

Banco Mundial: África Subsariana em tímida recuperação depois da pior queda económica em duas décadas

Segundo o documento que a instituição remeteu ao Asemanonline, as economias da África Subsariana estão a demonstrar sinais de recuperação, apesar de o crescimento regional, projectado para alcançar 2,9% em 2017, permanecer fraco. Isto porque os países exportadores de petróleo continuam a ser prejudicados pelo ambiente de baixo preço dos produtos básicos. O desempenho do ano passado, recorde-se, foi marcado pelo colapso dos preços dos produtos básicos e pelo crescimento económico lento.

O relatório agora divulgado pelo Banco Mundial revela que o aumento do produto interno bruto (PIB) deverá permanecer elevado entre os países que não dependem da exportação de produtos básicos, sustentados pela demanda interna. Salienta que que, actualmente, metade da população da África Subsariana vive em países que têm demonstrado capacidade de recuperação e têm mantido suas taxas de crescimento.

Conforme a mesma fonte, África do Sul, Angola e Nigéria – tidas como as maiores economias do continente -, estão a perceber uma recuperação após a acentuada desaceleração ocorrida em 2016. Mas indica que esse restabelecimento tem sido lento, tendo em vista o aumento do sentimento proteccionista em todo o mundo e uma restrição do financiamento global acima da expectativa. Acrescenta que, no lado doméstico, os riscos para a actual recuperação derivam da ausência de reformas, das crescentes ameaças à segurança e da volatilidade política diante das eleições em alguns países.

Reformas em África subsariana

A segunda «Pulsação de África» do BM contextualiza que o ambiente de baixo crescimento económico ocorre num momento em que o continente precisa com urgência de reformas para alavancar o investimento e enfrentar a pobreza. Propõe que os países precisam também adoptar os tão necessários gastos de investimento e, ao mesmo tempo, evitar a elevação da dívida a níveis insustentáveis.

«À medida que os países caminham para o ajuste fiscal, precisamos preservar as condições correctas para o investimento de modo que os países da África Subsariana alcancem uma recuperação mais robusta”, diz Albert G. Zeufack, Economista-Chefe do Banco Mundial para a Região de África, para depois propor: “Precisamos implementar reformas que aumentem a produtividade dos trabalhadores Africanos, para além de criar um ambiente macroeconómico estável. Empregos melhores e mais produtivos são providenciais para o combate à pobreza no continente.”

O relatório bienal do Banco Mundial revela, por outro lado, que o crescimento do PIB nos países cujas economias não dependem dos produtos básicos foi beneficiado pelos investimentos em infra-estrutura, por sectores de serviços resilientes e pela recuperação da produção agrícola. «Isso é particularmente verdade para os países da União Económica e Monetária da África Ocidental (UEMOA). Cabo Verde, Comores, Ilhas Maurício, Madagáscar e Seychelles também continuarão a ter crescimento moderado», lê-se no documento.

Mais crescimento em 2018-2019

Precisa a mesma fonte que o crescimento agregado do continente deverá acelerar-se em 2018-19 para 3,6%, reflectindo uma recuperação nas maiores economias. Tal crescimento continuará reduzido para os exportadores de petróleo, ao passo que os exportadores de metais deverão sentir um aumento moderado. O documento recomenda que, nesse ambiente, a promoção do investimento público e privado é prioridade. Indica que a região sofreu uma desaceleração no aumento do investimento – de quase 8% em 2014 para 0,6% em 2015. “Com taxas de pobreza ainda elevadas, é imperativo recuperar o impulso do crescimento”, afirma Punam Chuhan-Pole, Economista Principal do Banco Mundial e autor do relatório. “O crescimento precisa ser mais inclusivo e envolverá o enfrentamento da desaceleração do investimento e a elevada logística comercial que entravam a competitividade», disse.

O relatório do Banco Mundial, divulgado esta quarta-feira, recomenda, em linha gerais, a implementação urgente de reformas de modo a aprimorar as instituições que promovam o crescimento do sector privado em África, desenvolvam os mercados de capital locais, melhorem a infra-estrutura e fortaleçam a mobilização de recursos internos.

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