OPINIÃO

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SOBRE A VIDA AUTÊNTICA 14 Março 2017

A vida de aparência representa um grande mal e um perigo constante para a sociedade dos homens, pois é impossível uma convivência “saudável” quando aqueles que se convivem se apresentam uns aos outros não como realmente são, mas sim através de máscaras que escondem a realidade e as verdadeiras intenções de cada um, visando sempre vantagens particulares a qualquer custo. Por:José João Neves Barbosa Vicente

SOBRE A VIDA AUTÊNTICA

Por todos os lados é possível enxergar muitas máscaras e pouquíssimos rostos. É a vida de aparência reinando sobre a vida autêntica, como já havia percebido Rousseau em sua época. Os homens se escondem e apresentam suas máscaras; discursam com eloquência e fazem propagandas mirabolantes, mas escondem suas verdadeiras ações e o seu verdadeiro ser. Querem sempre ser alguma coisa, menos eles mesmos; querem ser vistos pelos outros como gostariam que fossem, não como verdadeiramente são; querem sempre saber quem são os outros, mas nunca se esforçam para conhecer a si próprios e se apresentar como de fato são; valorizam o olhar dos outros sobre eles, pois este é o “termômetro” usado para mudar ou manter a aparência mentirosa, seja no sentido físico ou em forma de discurso, sempre almejando vantagens e benefícios próprios.

A vida de aparência representa um grande mal e um perigo constante para a sociedade dos homens, pois é impossível uma convivência “saudável” quando aqueles que se convivem se apresentam uns aos outros não como realmente são, mas sim através de máscaras que escondem a realidade e as verdadeiras intenções de cada um, visando sempre vantagens particulares a qualquer custo. É preciso que os homens sejam eles mesmos, esta é a condição mínima para que todos possam ser livres e não escravos dos próprios desejos, mentiras e falsidades; apenas aquele que é capaz de ser ele mesmo está na condição de agir livremente e sem máscaras, isto é, de viver uma vida autêntica, a vida que importa realmente ser vivida na qual cada um apresenta para o outro o seu verdadeiro “eu” e coloca em prática a verdade.

Os homens precisam arrancar suas máscaras com as próprias mãos, afastar as aparências e colocar em prática a verdade, a autenticidade e a transparência nas relações entre eles. Para isso, é necessário que cada um penetre em si mesmo, vasculhe todo o seu ser e tome consciência plena de quem ele realmente é; apenas com essa atitude é possível viver a vida autêntica, pois ninguém pode viver esse tipo de vida sem o empenho contínuo e incessante na busca da verdade sobre si próprio. O verdadeiro papel de cada indivíduo no mundo passa necessariamente por uma análise rigorosa de si próprio que o coloca na condição de afastar as falas imagens que frequentemente constrói de si mesmo.

Filósofo, professor da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e Editor da GRIOT: Revista de Filosofia.

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