DIÁSPORA

A SEMANA : Primeiro di?rio caboverdiano em linha

Lisboa: Moradores do Bairro 6 de Maio clamam por intervenção política do Estado de Cabo Verde 09 Fevereiro 2017

Cidadãos de origem cabo-verdiana, moradores do Bairro 6 de Maio, concelho da Amadora (Portugal), clamam por uma intervenção do Estado de Cabo Verde junto das autoridades do município para solucionar o problema habitacional que aflige a comunidade.

Numa conversa hoje com a Agência Inforpress, no bairro, os residentes apelaram ao Governo de Cabo Verde para interceder junto das autoridades portuguesas a fim de minimizar o “sofrimento e a humilhação” por que têm passado.

“Chamamos a atenção do nosso Governo, na medida em que estamos a ser tratados de uma forma desumana”, disse Daniel Tavares, um dos moradores do bairro há mais de 30 anos.

Daniel Tavares falava à Inforpress na sequência dos acontecimentos que tem sido alvo o Bairro 6 de Maio devido às demolições que ali têm decorrido, mais precisamente na última terça-feira, em que um dos moradores ao tentar resistir supostamente entrou em confronto físico com agentes da Polícia de Segurança Pública (PSP).

Este morador considera que as pessoas residentes no referido bairro degradado, na sua maior parte de origem cabo-verdiana, estão a ser desprovidos de um dos mais elementares direitos humanos que é o direito à habitação.

Daniel Tavares explicou ainda que o que se está a passar é que a Câmara Municipal da Amadora fez, em 1993, um recenseamento para realojar as pessoas mas que só agora é que está a avançar com o programa.

“Acontece que muitas das pessoas recenseadas já faleceram e ficaram os filhos. Estes reivindicam o direito de um lugar para morar visto que estão a ser desprovidos da casa onde nasceram e a câmara da Amadora não lhes reconhece esse direito de herdarem as residências deixadas pelos pais”, explicou Daniel Tavares, para quem é nesta questão que reside os “conflitos e os desentendimentos” entre a edilidade e os moradores.

No local, a Inforpress deparou-se com as situações de muitas outras pessoas que foram para o bairro depois de 1993, na sua maioria jovens, com filhos e que, segundo as afirmações de Daniel Tavares, estão a ser “retiradas à força” do local onde vivem “há mais de 10, 15, 20 anos”, ficando desalojadas sem sítio para morar.

Luísa Mendes Lopes, aposentada por motivos de doença, considerou, por seu lado, de discriminatória a forma como o processo tem sido tratado e fez saber que morou muitos anos numa casa de onde foi despojada por não terem encontrado o nome no recenseamento estando agora a habitar uma casa, no mesmo bairro, deixada pelos pais juntamente com um irmão.

“Estar a desalojar as pessoas das suas casas sem apresentar alternativas é de uma tamanha desumanidade”, sustentou Luísa Lopes

Isidoro Mendes da Graça disse que a situação por que passa é desagradável e não tem onde ir morar tendo em conta que chegou a Portugal proveniente do Tarrafal de Santiago, em 2002, para cuidar do pai que se encontra doente.

Afirmou que a câmara da Amadora já o notificou que não tem direito de ser realojado, situação que considera injusta, visto que, acrescentou, morou todos estes anos com o pai.

A polícia e os moradores acusam-se mutuamente de agressão, e a imprensa portuguesa tem informado que na sequência de uma acção de demolição registou-se a detenção de um morador e alguns agentes feridos.

No entanto, a Inforpress apurou junto dos moradores que o homem que tentou impedir que a sua residência fosse demolida encontra-se hospitalizado fruto de “suposta agressão” da polícia.

A Inforpress tentou junto do Hospital Amadora Sintra saber da hospitalização do referido morador mas ainda não foi possível tal confirmação.

A Câmara Municipal da Amadora, através de um comunicado, demonstrou a sua determinação em levar avante o programa de demolições no Bairro 6 de Maio e fez saber que as demolições de terça-feira, em que seis famílias ficaram desalojadas, fazem parte de um programa de erradicação dos bairros degradados.

De acordo ainda com o citado comunicado, o processo de demolições está “completamente fundamentado” e que considera que, ao contrário das afirmações dos moradores e associações, as medidas não são tomadas de forma arbitrária.

Fonte: Inforpress

Os artigos mais recentes

19 Feb. 2017
OPINIÃO
SOBRE O ENSINAR

100% Prático

publicidade






Mediateca
Cap-vert

Uhau

Uhau