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Terêro Bulimundo: "Resuscitare’ Spritu Cabo-verdiano" 18 Janeiro 2017

A Febre do Funaná contaminou o espírito dos cabo-verdianos nos Estados Unidos da América (EUA). No ar sons de outra têmpera que reforça a nossa identidade invadiu os jovens e os mais velhos que a cada acorde sentia-se o pulsar do coração kriol, sua força, seu dinamismo ancorado no pulmão "di nos Terra".

Por: Alípio Clarence Filho

"Febri Funaná" invade EUA

Sorrisos de alegria bem como lágrimas de satisfação, há guentis ki ka resisti febre e sobem ao palco, abração Zeca di Nha Reinalda, Zé Mário"Cruyff" or Ibraltino Costa, cantam, dançam, outros choram de emoções. Momentos íntimos e comoventes com abraços de fraternidade num ambiente caloroso com um espírito de camaradagem sem igual. Esta é sem dúvida um dos pontos altos dos três shows de Bulimundo nos Estados Unidos da América que foi seguido por um banho de "guentis" que ficaram com febre de funaná" como disse kay Araujo, o promotor do show. O concerto inaugural foi no dia um de Janeiro em Lupo’s Roxy Heartbreak Hotel em Providence-Rhode Island com casa cheia. "Casa cheia badju e ti manxi" pediu a tribo Bulimundo e eles já veteranos no assunto "envolveram" o público nas canções, do inicio ao fim. Com uma audiência predominante entre os vinte, trinta, quarenta, e cinquenta, setenta plus (+), todos sabiam de cor e salteado as músicas do Bulimundo que levou a audiência à emoções extremas. Os shows de Bulimundo tem algo de "purificationibus" - catártico algo que nos deixa num estado puro, e promove o bem-estar, pois no ar sente-se em cada acorde o ferver e o pulsar do coração cabo-verdiano, sua força, seu dinamismo, as suas aspirações, alegrias, suas frustrações, tristezas e claro um vontade instantânea de dar um djatu revolta de um povo, do funaná levando-o ao " aos centros urbanos do arquipélago, ao "Plataeu" e ao mundo.

Jan 7 - Ó Mundo ka bu kaba".

"Ó Mundo ka bu kaba ... (..) Em Brockton, no dia do show uma feroz tempestade de neve ameaçou travar a multidão dos fies que em The Shaw’s Center, desafiaram a mãe natureza viajaram de outros Estados como Florida, conduziram de Amherst, Boston, Cape Cod, Connecticut, Taunton, Providence, Pawtucket, Somerville, New Jersey, etc., etc. para assistir o show considerado por muitos como, "Um momento histórico", desabafou Zeca Soares no meio do choro de "Mama mama’ de "Tó Martins".

Pairava também no ar aquele clima de paquera que aos poucos invadiu o local, a combinação de humor e romance com olhares indiscretos, sorrisos de satisfação, dança-se aos pares com movimentos do quadril cadenciados, sensuais e vivos, o saracotear da coxa à ronca bai - dentu compasso pilon."Nha Frosa, nha Frosa, nha $40.00 dólar ti manxi". Não faltaram aquele abraço de reencontro de amigos e convívio fraternal entre guentis de diferentes gerações num clima de tremenda harmonia agudizar ainda mais o apetite dos amantes do Funaná, batuque, mas também de mornas e coladeiras tida como sinónimo da nossa identidade.

A música dos Bulimundo seduz porque é qualquer coisa de vivo, porque o seu criador deu-lhe o próprio sangue. Encheu-a de amor, sonhos, esperanças, revoltas, gritos de dor e de protesto. Deu-lhe o hálito da vida, vida sofrida sem esperança no amanhã que canta, "É duêdo, no mundo un ka podi mas". Oh yeah, como esquecer daquele grito de "Demo, demo, demo, democracia". Para culminar a sua digressão aos EUA, o restaurante Cesária, em Boston foi o palço de despedida. Nos três concertos do palco à plateia registou-se uma interacção de um sentimento de cabo-verdianidade... "Nós amizade nansi lá na boronsêra, na meio de tudo lixeira, de nós é ka cima do seu (.) ".

Inspira e incomoda

O Conjunto Bulimundo foi fundado em 1978, num período de grande efervescência cultural, com destaque para o movimento que defendia o retorno às fontes da música tradicional com vista a se encontrar novas formas musicais. No jornal Voz di Povo, Ed. 15-3-1980, Carlos Alberto Martins "Kacház"’ afirmara em entrevista que “com a Independência Nacional e a nova realidade cabo-verdiana, tornava-se necessário trabalhar aquilo que era nosso. (…) Havia um espaço enorme a preencher no aspecto da música tradicional cabo-verdiana e foi daí que surgiu a ideia de trabalhar estas músicas, trabalha-las e diversifica-las.”

Os Bulimundo souberam mais que nenhuma outra banda explorar o rico filão da nossa música folclórica. No âmago da música dos Bulimundo pulsam pedaços vitais de quem se impregnou da força do Funaná, da sensualidade do Batuque, da irreverência da Tabanka, da nostalgia da Morna. Bulimundo mergulha nas raízes profundas do mundo rural, transformando cada composição numa crónica musical, revestida de ritmos e cadências dos ecos de trabalho, do som do trapiche no poial da casa, na courela ressequita dos acordes que fazem esquecer a chuva que não vem ou momentaneamente anestesiar a dor da separação. "Tânia un têm fé de encontrou, na ponto final de nós sodadi", ou José.

No meio urbano, o Funaná foi naquela época uma novidade que deu origem às maiores discussões teóricas, técnicas e ideológicas de que se tem memória na música de Cabo Verde. O tempo soube separar o trigo do joio. Não é a toa que os Bulimundo marcaram de forma indelével o panorama musical cabo-verdiano, alcançando uma projecção internacional até então impensável no contexto do chamado World Music.

Os génios nunca deviam morrer, disse Salvador Dali. Não morrem mesmo."Strumu forte pa Funaná". Hoje, mais de 30 anos passados a música da banda musical não ficou ultrapassada, algo de extraordinário continua a acontecer. Não apenas suas gravações continuam a vender como também consegue seduzir a nova geração em busca de valores é uma referências e isso prova que o conjunto carrega em si uma mística e um certo prestígio devido à sua história de luta e empenho para transformar o Funaná num género musical de expressão global. Para já, é imperativo transformá-lo num do cartão-postal de Cabo Verde. E porque não num património nacional ou ainda Mundial? Fica no ar o poder da nossa música e o seu papel no resgate dos nossos valores culturais e catalisador de confraternização de gerações. Os Bulimundo se tornaram uma das mais clássicas e icónicas bandas musical de sempre de Cabo Verde. Prosseguem uma revolução ritmada que se inspira no coração do povo, o que não acontece com o chamado zouk crioulo. E tal perenidade não é à toa. Porque musica boa é bom remédio e o Funaná é remédio sagrado! ’É keli ké de nós (.) "

Com os Bulimundo Funaná é rei e senhor. E a "febre Funaná" continua alta. "Tomara ke bira tifóide" implorou António Moreira "Somora -Zola" em transe a beira do ultimate clímax quando ecoou do keyboard (teclado) do Duka o "Fidjus Funaná". No final ficou a promessa dos Bulimundo regressar aos EUA, em verão com mais concertos, pois eles deixam os EUA prenhe a espera de um possível álbum novo para elevar um pouco a febre do funaná ao povo kriols e ao World Music.

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