Investigação: Tudo sobre o caso Monte Tchota

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Muitos “views”, mas mais “dislikes” 14 Maio 2016

A publicação de fotos dos cadáveres das vítimas deu muitos “views” às páginas de determinados internautas, mas mais ainda “dislikes”, bloqueios de pedidos de amizade e ameaças de processos-crimes por desrespeito à imagem dos malogrados. O jurista Vuka Lopes bloqueou a página “informativa” Onda Kriolu e incentivou os interessados a apresentar queixa-crime contra aqueles que espalharam as fotos na Internet.

Muitos “views”, mas mais “dislikes”

A partilha de imagens dos cadáveres das vítimas do massacre de Monte Txota no Facebook levou vários internautas a bloquear quer amigos quer uma página “informativa” que promoveram essa conduta. Para os críticos, mostrar as fotos na rede social ultrapassou os limites do tolerável e é um claro desrespeito pela dor dos familiares dos soldados e civis assassinados. Por isso acham que esse comportamento deveria merecer uma firme condenação da sociedade cabo-verdiana e os autores serem alvo de processos-crimes. Aliás, o jurista Vuka Lopes incentivou os interessados a levar a Tribunal os administradores da página Onda Kriolu, além de outras pessoas, por terem publicado tais imagens.

“Basta! Não podemos ser coniventes com tamanha ignorância. Vamos ser consequentes e apresentar queixa-crime na Procuradoria da República contra os autores desta publicação infame. Partilhar essas imagens é ignorância”, escreveu o jurista mindelense, que pediu a todos para denunciarem ao Facebook aqueles que publicaram as fotos e bloquearem as respectivas páginas.

Foi o que fez o jornalista Dai Varela, amigo do professor Dany, um dos três civis mortos no Monte Tchota. Mas, para seu desalento, a denúncia do caso ao Facebook de nada serviu. Após tomar essa iniciativa, Varela recebeu a seguinte resposta da multinacional: “Obrigado pelo tempo despendido para denunciares algo que consideras poder estar a desrespeitar os nossos padrões da comunidade. Revimos a foto que denunciaste por promover violência gráfica e considerámos que esta não desrespeita os nossos padrões da comunidade. Entra em contacto connosco se vires mais alguma coisa que te preocupe. Queremos manter o Facebook seguro e acolhedor para todos.”

Esta reacção deixou atónito o jornalista português Jorge Montesinho, residente na cidade da Praia. “Só no Face podes mostrar massacres, mas não mamilos...; p… para os mercados”, desabafou esse profissional da imprensa cabo-verdiana.

A publicação das fotos provocou um aceso debate na referida plataforma digital. Na sua maioria, as pessoas condenaram esse acto e criticaram aqueles que supostamente fizeram isso com a intenção de ganhar “views” e “likes”. Se foi essa realmente a intenção, tudo indica que o tiro lhes saiu pela culatra. É que várias pessoas foram alvo de duras críticas e houve até quem tenha bloqueado amigos virtuais. A modelo Vaiss Reis, por exemplo, colocou uma mensagem “curta e grossa” na sua cronologia com a seguinte informação: “bloqueado e denunciado ‘Onda Kriolu’. Uma vergonha!”

A página Onda Kriolu foi uma das visadas pelos internautas e não teve outra alternativa que não apagar a pasta fotográfica “Massacre di Monte Txota”. Mas fê-lo acompanhado da seguinte chamada de atenção “Deleted… Decidimos eliminar as fotos da tragédia por nossa livre e espontânea vontade. Mas, o facto de apagá-las’ não significa que não existam. Só significa que não queremos encará-las, que não estamos prontos para olhar de frente a realidade. (…) A nossa realidade.” Uma mensagem que despertou uma nova onda de críticas de seguidores dessa página, que costuma publicar notícias em crioulo sobre Cabo Verde.

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