25º aniversário do A Semana

A SEMANA : Primeiro di?rio caboverdiano em linha

Artistas e agentes pedem mais cultura 03 Maio 2016

Artistas e gentes culturais dizem que o jornal ASemana deve reforçar ainda mais o seu contributo na cobertura e promoção da cultura cabo-verdiana, no país e além-fronteiras. Querem que as informações sobre a cultura sejam mais diversificadas, abrangendo os profissionais da área no país e na diáspora.

Artistas e agentes pedem mais cultura

Maria Estrela, gestora de projectos do Atelier Mar, entende que o jornal “tem feito uma cobertura jornalística de forma objectiva, com factos relacionados com o quotidiano cultural, e, em alguns casos, com textos mais aprofundados e com argumentação sólida”.  Para o músico, escritor e poeta Princezito, o jornal tem colaborado intensamente na promoção da cultura cabo-verdiana, dando cobertura aos eventos culturais, tanto a nível nacional como na diáspora.

“Eu mesmo, fui beneficiado com uma longa entrevista sobre o lançamento do meu primeiro álbum a solo, e todos os eventos que realizo. A gala ‘Armonia’, a festa do Milho, isso só para citar alguns”, diz. A afinar pelo mesmo diapasão, o artista plástico Tchalé Figueira revela que o jornal ASemana faz coberturas interessantes, mas entende que faltam jornalistas especializados em diferentes áreas da cultura que possam ir mais a fundo em termos de críticas literárias, musicais, artes plásticas, dança entre outros. Isto porque, “caso contrário, as notícias tendem a ser apenas efemérides pontuais”, ressalva.

O periódico desde a sua criação teve “sempre um papel de grande relevância na formulação do discurso político e cultural no panorama nacional”, opina a escritora e presidente da Academia Cabo-Verdiana de Letras, Vera Duarte. Realça que, apesar de a tónica ser mais na área política, a cultura também é abordada com alguma “dignidade”. No entanto, critica o pouco espaço de destaque que a Academia Cabo-verdiana de Letras, criada há mais de dois anos, tem no jornal.

Jorge Martins, fundador do grupo teatral Juventude em Marcha, defende que o jornal habituou os seus leitores com um trabalho excelente em termos da agenda cultural, sobre digressões, percursos e espectáculos. Mas, apesar do esforço meritório, nos últimos tempos o jornal tem descurado nesta matéria que era profícua para o jornal, atesta.

Os grandes marcos

Como grandes marcos alcançados ao longo destes 25 anos do jornal A Semana, os entrevistados destacam a coragem, a ousadia e a determinação do jornal em tratar temas de interesse nacionais e eventos marcantes na vida cultural do país. Princezito defende que a marca do jornal é sem dúvida as grandes reportagens e a coragem de tratar temas ditos como sensíveis e até tabus. Isso sem contar com as entrevistas aos homens e às mulheres da nossa cultura. Entretanto, para Tchalé Figueira, em 25 anos, muita coisa mudou e “houve um período anterior, de censura, mas gradualmente vai-se democratizando, apesar de nem sempre ser imparcial”. Mas assegura que “mais liberdade, é sempre bom”.

Para Jorge Martins, o jornal tem primado nestes 25 anos por manter um equilíbrio nos conteúdos que publica, procurando não entrar no campo dos “ataques pessoais”, que denigrem a imagem das pessoas. Pelo que, destaca a qualidade do jornal neste ponto. “Para mim, é o melhor jornal do país, apesar de algumas críticas de que nos últimos anos tem decaído um pouco relativamente ao conteúdo publicado”.

Sugestões

Relativamente às sugestões de melhoria para o jornal, os nossos interlocutores revelam que se deve apostar na qualidade e diversificação dos temas de índole cultural e abranger o maior número de actividades culturais do país. Segundo Princezito, o ASemana deve especializar-se na pesquisa e promoção da cultura e história cabo-verdiana.

Tchalé Figueira afirma que, no que tange ao site asemanaonline, deve-se filtrar todas as obscenidades e escritas anónimas que infelizmente são publicadas em defesa de uma maior isenção da “simpatia política”. Já Maria Estrela defende que A Semana deveria pensar qual a linha editorial cultural que pretende seguir para renovar esta área. É que, sublinha, os temas culturais estão muito condicionados pela agenda de eventos, sobretudo de expressão artística, e alguns têm mais destaque que outros, dando a ideia de que há uma hierarquia.

Defende que o jornal deve ir além do facto e do relato e ter mais textos conceptuais de modo a valorizar as tradições, desenvolver novos tópicos e explorá-los com profundidade. “A música é rainha das notícias, mas há outras formas de expressão artística que não têm muito espaço”, analisa esta agente cultural, para quem há uma preocupação em falar só do produto final em detrimento dos processos, das motivações, dos caminhos para chegar ao produto final.

Na mesma linha de pensamento, a escritora Vera Duarte diz esperar “uma maior divulgação da literatura”, para que chegue a uma camada cada vez mais significativa da população. O fundador do Juventude em Marcha deixa um desafio ao jornal no sentido de recuperar a dinâmica de abordar as mais diversas actividades culturais a nível nacional.

“Deve procurar seguir os todos eventos culturais, pois são aspectos importantes não só para o jornal, como também para a cultura cabo-verdiana”. Por seu lado, Vera Duarte avança que o A Semana deveria dar mais espaço à área das letras e literatura com a publicação de notícias sobre eventos literários, resenhas e entrevistas com os protagonistas da literatura.

Odair Soares/Vanina Dias/Paula Tavares

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