25º aniversário do A Semana

A SEMANA : Primeiro di?rio caboverdiano em linha

O jornal ASemana e a promoção de uma Agenda Crítica para a Sociedade Cabo-Verdiana 04 Maio 2016

O Jornal ASemana vai comemorar o seu 25º aniversário e lançou aos seus ex-colaboradores o repto de contribuirem com um texto de reflexão sobre o papel deste semanário, considerado uma instituição da República, que tem tido uma práxis jornalística activa em prol da liberdade de imprensa e de expressão, assim como da democracia e do desenvolvimento de Cabo Verde.

Por: Nardi Sousa

O jornal ASemana e a promoção de uma Agenda Crítica para a Sociedade Cabo-Verdiana

Visto sob este prisma, o contributo do ASemana tem sido colectivo, certas vezes interdisciplinar, agregando informações, reflexões e imagens, do dia a dia, do país e da diáspora. Mesmo com altos e baixos, o que é normal num mercado pequeno onde o Estado e suas agências abocanham quase tudo, e tendo em conta a sua maturidade como fonte de informação, o semanário tem procurado manter-se fiel à sua génese, i.e., ser os olhos e, até certo ponto, uma bússola para a sociedade cabo-verdiana. De facto, tem sido um pouco isso, criando e dando espaço para que os colaboradores enriqueçam, até certo ponto, a sua agenda setting.

Como ex-colaborador só tenho de agradecer o ASemana pela oportunidade que me concedeu para que a minha voz ecoasse neste deserto de ideias, e fosse ouvida, e também partilhada com Cabo Verde e o mundo. Vivemos num país em fase de transição, que já atingiu a idade adulta, mas que insiste, muitas vezes, em (man)ter comportamentos infantis, não apropriados à idade que aparenta ter. Não quero com isto dizer que menosprezo certas infantilidades. Muito pelo contrário, os espiritualistas estimulam-nos a observar as crianças a brincar, jogar, contemplar a alegria delas, a sua entrega, longe das preocupações das dívidas, das dúvidas, do stress, das incertezas. As crianças não têm contas por pagar, não armam emboscadas várias aos colegas (nem a nível laboral, psicológico, político ou inclusivamente físico). As crianças têm uma entrega total e quase pura, vivem intensamente o presente, sem pensar no amanhã e nas (ir) responsabilidades dos graúdos.

Acredito que o ASemana tem dado o seu significativo contributo para a democracia cabo-verdiana, reforçando-a e expondo também as suas fraquezas (centrais e locais) ao povo cabo-verdiano. Da mesma forma, os partidos políticos têm encontrado nele um espaço para expor os seus projectos societais, assim como fazer transparecer as suas limitações e seus vícios. Os políticos também encontraram um locus para realizar as suas operetas e para receber assobios quando a plateia já estiver farta dos monótonos sons. Os empresários (amigos quando lhes é cómodo, e também inimigos quando lhes é favorável sê-lo) assim como os jovens, os trabalhadores, os autarcas, os sindicatos deliciaram-se com as suas informações e artigos, mas também usaram-no para cuspir as suas raivas, descontentamentos, medos, incertezas e falsas alianças.

Os artistas usaram-no para vender o seu peixe, as suas agendas híbridas, escondendo, muitas vezes, as facturas para que tudo acabe na quarta-feira, num país onde não se produz uma fralda e ou cotonetes e que insiste em viver de ajudas internacionais.

Creio que o semanário revelou também um pouco a praxis hipócrita das políticas públicas cabo-verdianas, que costuma ter o mau hábito de, após receber grandes ajudas e/ou investimentos dos seus parceiros principais, Estados Unidos e União Europeia (que por acaso nos seus respectivos países apoiam os privados, sendo o Estado um regulador), só promoverem e engordarem, aqui nestas bandas, o universo público, deixando os privados sem fundos para pesquisa, desenvolvimento e business.

Esta colaboração especial, no 25º aniversário do jornal, visa, da minha parte, fazer somente um elogio à teoria crítica como base de sustentação de qualquer sociedade que se quer mais justa, criativa e solidária. Uma sociedade que deveria sempre controlar as agendas públicas, de mdo a evitar que o Estado se transforme numa plataforma de lançamento de voos privados, com poucos lugares para passageiros colectivos, sem apresentar um plano de voo, e tornar claro, e límpido, que o Estado não deve nunca substituir a banca, mesmo que esta não tivesse liquidez, o que não é o caso.

Oxalá o ASemana continue, ou venha, a esclarecer o público como anda o país, os partidos, as instituições públicas e privadas e que projectos existem para uma população jovem que não lê, que nem críticas pertinentes faz, e que tem estado a sacudir a bunda para cá, muitas vezes com um copo na mão.

Parabéns ASemana, Long life!

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