25º aniversário do A Semana

A SEMANA : Primeiro di?rio caboverdiano em linha

Quod Scripsi, Scripsi … 08 Maio 2016

“ Os jornais cabo-verdianos fazem parte integrante da identidade cabo-verdiana …”

Por: José Valdemiro Lopes

Quod Scripsi, Scripsi …

Muita gente defende que não há desenvolvimento sem democracia, nem democracia sem desenvolvimento, mesmo que haja contradição nisso, o ideal é o propósito, a meta a ser alcançada, sob a certeza de que os dois processos estão interligados.

Apareceram, recentemente, vários outros semanários, que mal tiveram oportunidade de se afirmarem neste pequeno mercado de opinião pública e publicitário. Eclipsaram-se tão repentinamente como apareceram, e creio que o problema não é tão-só de natureza financeira, como, também, a convicção, organização, independência e especialização, sem subestimar a competição, no “mercado estreitíssimo” desta sociedade de ilhas, politicamente polarizada, neste século de comunicações.

Independentemente do baixo poder de compra da maioria da população, queremos todos poupar e poucos se permitem o “luxo” de investir na “formação e informação”, de forma contínua, durante as cinquentas e duas semanas, fidelizando-se à aquisição de apenas um dos três semanários, da nossa praça, suportando o custo de cinco mil e duzentos escudos, ano, quando têm possibilidade de acesso às informações de maneira gratuita na Internet, e consciente que geralmente os nossos semanários tratam quase sempre os mesmos temas socioeconómicos e políticos do quotidiano cabo-verdiano. Praticamente temos uma média de oito leitores para cada exemplar de um jornal adquirido e ainda nenhum especializou-se, em qualquer área definida, são jornais cabo-verdianos e estão nas bancas, semanalmente.

Como a liberdade de imprensa e o seu pluralismo são partes integrantes da democracia, todos os jornais devem ser incentivados pelo poder público – a não confundir com “influenciar”. A ajuda estatal vinda do poder central e local, para ser eficaz, deve ser desigual, beneficiando mais os jornais com recursos publicitários mais fracos e, mais ainda, subvencionando assinaturas anuais de todos os jornais da praça em todos os estabelecimentos de ensino secundário, técnico-profissional e universitário, associações culturais e bibliotecas municipais do país. Deve-se arranjar forma de intervenção financeira junto às gráficas privadas do país, para impedir a impressão no exterior, evitando expatriação de divisas, fortalecendo a nossa classe empresarial da área e com ganhos para o fisco, sob a forma de impostos legais e mais entradas a nível do imposto sobre o valor acrescentado e talvez haja impacto na criação de emprego.

Os jornais são importantes e Cabo Verde, nação jovem e moderna, precisa de soluções ao seu processo de desenvolvimento; a confrontação de opiniões é útil e talvez indispensável e actua para amplificar visões, vencer ou fazer diminuir o choque das contradições, reencontrar ideias e as diferentes maneiras de ser e de estar tipicamente cabo-verdianas e mesmo afirmar, para fazer reflectir que, apesar de certezas estabelecidas, há sempre, felizmente, opinião ou ponto de vista diferente.

A cultura cabo-verdiana está inserida neste mundo da globalização: não somos unicamente consumidores, participamos activamente na cultura universal, os jornais cabo-verdianos devem continuar a divulgar, ao mundo, a nossa cultura, a nossa memória colectiva, o social, o económico de todas estas nossas nove ilhas habitadas, pelas vias habituais: impressa e na Internet.

A Internet é incontornável: toda e qualquer pesquisa mesmo de índole científica é impossível sem se recorrer ao sítio do maior centro de bases de dados relacionais, o Google. Nas redes sociais dedicadas à leitura, denominadas “Social Reading”, os leitores discutem e partilham informações online, a juventude cabo-verdiana, marcou presença activa, principalmente no Facebook e Youtube, mas há mais, como: “Goodreads”, “Book-Clubs-Resource.com”, “Babelio”, etc., sítios que permitem a partilha e análise de comentários, criando verdadeiras “redes gloss”.

Se o numérico permite acesso fácil e muitas vezes gratuito a obras raras e mais, permito-me defender que o impresso, o papel, induz alguns comportamentos e impõe um ambiente particular: sinto o seu peso, posso cheirá-lo, manipulo-o à vontade indo para a frente e voltando para trás, com precisão, posso inserir notas facilmente, dobrar os cantos inferiores ou superiores das páginas, inserir marcadores de leitura, sublinhar textos ou frases, inserir como marcador, foto ou flor seca e mesmo para secar, etc. É evidente que o impresso é destinado a uma utilização solitária, mas reconheço que uma boa notícia, cultural, social, ou política, estimula práticas colectivas: leitura para um grupo permitindo uma interactividade crítica, sob a forma de comentário crítico e social em que participam as partes.

O título deste artigo não é simplesmente repetição, mas um facto: realmente, o que está escrito fica escrito. Somos ainda uma sociedade de transmissão oral e a radio é, ainda, o meio de comunicação por excelência e devemos preocupar-nos em transmitir ao mundo e às novas gerações, de preferência pela escrita, toda a cultura e sabedoria cabo-verdiana. Esta forma de transmissão sobrevive e exemplos não faltam: o máximo da literatura moderna e autónoma cabo-verdiana é a Claridade, os jovens devem consultar ainda os vários números, publicados do Boletim de Cabo Verde e ler, entre muitas outras obras, A Aventura de Crioula de Manuel Ferreira. São obras que estão inseridas em contextos histórico e social sob dominação estrangeira, mas veiculam a nossa memória, a cabo-verdianidade...

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