LEGISLATIVAS 2016

A SEMANA : Primeiro di?rio caboverdiano em linha

Rescaldo das legislativas 31 Março 2016

Os Vencedores

Ulisses C. e Silva

Foi o grande vencedor destas eleições legislativas. Assumiu a controversa renovação, que deixou de fora vários “notáveis” do MpD. Com isso, pôde montar uma equipa rejuvenescida, que incutiu uma nova dinâmica apresentando-se com uma estratégia mais agressiva junto do eleitorado. Um risco calculado e que deu frutos, ao recolocar o MpD no Governo, após 15 anos de Jejum. Ulisses Correia e Silva é o arquitecto desta mudança.
Jorge Santos

Após uma passagem desastrosa por São Vicente nas eleições legislativas anteriores, com o MpD a ser claramente derrotado, voltou às suas raízes. Conhecedor como ninguém da realidade de Santo Antão, conseguiu contrariar a vantagem do adversário, que apostava em obras feitas. Mostrou que, contrariamente ao que dizia o PAICV sobre Santo Antão, a ilha continua a ser relegada para segundo plano no cômputo geral do país.
Austelino Correia

Cabeça-de-lista do MpD por Santiago-Norte, surpreendeu o público pelos resultados que alcançou no pleito do último domingo. Apontado até então como grande desconhecido, Austelino Correia fez uma campanha aguerrida e venceu os tambarinas, que tinham no entanto a previsão de ganhar a região por causa dos grandes investimentos realizados, com destaque para as barragens.
João GOMES

Se com Jorge Santos a visão do “forasteiro” a ser chamado para representar São Vicente foi discurso que pegou pela negativa, com João Gomes foi uma jogada ganha. Nascido em São Tomé, este filho de sanicolauenses conseguiu mostrar que é um sanvicentino e um cabo-verdiano. A mensagem de João Gomes, assente no abandono da ilha e elevado desemprego, sobretudo entre os jovens, foi determinante para a vitória local do seu partido. A questão da regionalização também teve uma força demolidora. A lista, integrada por “pesos-pesados do poder local”, mostrou forte coesão no trabalho de terreno.

Os Derrotados

Janira H. Almada

Assumiu de imediato a responsabilidade desta derrota, enquanto líder do PAICV, o que é salutar na democracia. Mas JHA lutou contra uma conjuntura adversa, primeiro uma eleição tardia – em Janeiro – que pouco tempo lhe deu para posicionar o partido no terreno. Enfrentou ainda alguma divisão interna, que fez com que figuras importantes no partido se mantivessem à sombra da bananeira durante a campanha. Mais: herdou situações complexas para gerir como os casos de deslocados de Chã das Caldeiras, a gestão da TACV e uma elevada taxa de desemprego numa conjuntura de crise internacional, que não conseguiu resolver enquanto tutelava o sector da juventude e emprego. Mas fez uma campanha digna e com elevação.
José Maria Neves

Indiscutivelmente, é um dos grandes responsáveis pela derrota do partido que o colocou como chefe do Governo durante os últimos 15 anos. Primeiro, pela dificuldade que teve em gerir os conflitos internos e a demora em clarificar a sua posição em relação à nova líder do partido. Segundo, implementou uma estratégia política que, conforme alguns analistas, marginalizou algumas ilhas e concentrou grande parte dos projectos de investimentos na ilha de Santiago. Além disso, fez uma gestão deficiente de dossiês complicados e assimiu uma postura autista em relação aos sinais e alertas que vinham sendo emitidos pela sociedade. Resta saber como politicamente dará a volta a tudo isto.
Manuel I. Sousa

Um dos rostos do PAICV em São Vicente, averba depois das presidenciais de 2011, a segunda derrota consecutiva no seu círculo, agora com maior expressividade. O partido tambarina caiu de uma posição de vencedor para terceira força política na ilha. Este resultado é uma resposta sobretudo da juventude mindelense às políticas do Governo, mas também penalizou a figura de Manuel Inocêncio Sousa. Tido como um dos arquitectos deste Cabo Verde moderno propalado pelo PAICV, «Naiss» não conseguiu, porém, trazer grande projectos para a sua ilha. São Vicente deu um contundente “cartão vermelho” ao Inocêncio Sousa e ao seu partido.
Eva Ortet

É um dos rostos da derrota do PAICV no Fogo, ilha considerada até o dia 20 de Março, o “último bastião tambarina”. Os problemas do PAICV começaram com o tumultuado afastamento de Eugénio Veiga. Mas a vice-presidente do PAICV e as lideranças locais também não souberam escutar o “lamento” dos foguenses. A forma como o Governo encarou a erupção vulcânica de 2014-2015, principalmente a lentidão em responder ao problema dos deslocados de Chã das Caldeiras, foi determinante para a descrença no partido tambarina na ilha. Se isso não bastasse, somam-se ainda os vários erros cometidos aquando do afundamento do navio “Vicente”.
João Pereira Silva

Não esteve directamente envolvido nas eleições legislativas, mas foi um dos rostos da vitória interna de Janira Hopffer Almada. Agora acabou por ser um dos maiores responsáveis pelos descontentamentos sobre a gestão da TACV surgidos em plena campanha eleitoral. Os últimos dias foram prenhes de notícias que afundaram a candidatura tambarina: mudança do destino Boston, onde reside uma enorme comunidade cabo-verdiana, para o destino Providence; abertura de várias rotas sem uma lógica comercial clara; arresto do Boeing no aeroporto de Schiphol, Holanda; cancelamento do voo para os EUA para evitar um segundo arresto; e, por último, a assinatura de um contrato alegadamente lesivo para ficar com o aparelho 757 até 2024.
Figuras ausentes

Janira Hopffer Almada fez uma luta quase sempre isolada. Figuras de peso dentro do partido, designadamente os ministráveis, quedaram-se no seu canto, quem sabe à espera do desfecho para aparecer. São os casos da ministra de Finanças Cristina Duarte, figura de “boss” nos Governos de José Maria Neves; dos colegas Leonesa Fortes, Jorge Tolentino, Fernanda Fernandes, Fernanda Marques e José Carlos Correia. Nos últimos dias, após, já quase fora do timing certo, entrar JMN na campanha, apareceram timidamente Marisa Morais, Cristina Fontes, Basílio Ramos e Pedro Pires. Mas o apoio destes aconteceu demasiadamente tarde.
Abstenção elevada
Inicialmente apontada como uma das maiores vilãs destas eleições, a abstenção foi uma das maiores de sempre. Chegou aos 34,1%, somando 118.394 eleitores que optaram por ficar em casa no dia das eleições. As maiores abstenções nacionais foram registadas nas ilhas da Boa Vista, com 37,6% (2.213 eleitores) e do Sal, com 36,6% (5.581). A menor cifra de eleitores que não foram votar aconteceu nas ilhas de Santo Antão com 25,6% (7.734) e no Maio com 24,6% (1.158 eleitores).

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